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De brigas à conexão: Dicas de uma Advogada, Sexóloga e Analista Comportamental que já ajudou milhares de casais a resgatar a harmonia, a intimidade e a paixão no casamento.
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Olá Queridos Leitores, preparados pra entender o que a Psicanalise fala sobre odiar e amar a pessoa amada? Então vamos lá!

Muitos casais vivem um paradoxo angustiante: como é possível sentir uma conexão profunda e, no minuto seguinte, um desejo latente de que o outro simplesmente desapareça? Para a psicanalista Melanie Klein, isso não é apenas comum — é a base da nossa constituição emocional.

Klein se aprofundou no estudo de Bebês, isso mesmo, bebês… diferente de Freud que estudou as crianças a partir de seus 4 aninhos de idade, ela passou a estudar os recém nascidos.

E assim surgiu a origem O “Seio Bom” e o “Seio Mau”

E para entender o casamento hoje, Klein nos convida a olhar para o berço. Segundo ela, o bebê não entende que a mãe é uma pessoa inteira. Então quando a mãe alimenta e acalma, ela é o “objeto bom – seio bom”. Quando demora a chegar ou não atende ao desejo imediato, ela se torna o “objeto mau – seio mau”.

Na infância, dividimos o mundo para sobreviver emocionalmente (a chamada posição esquizoparanoide). No casamento, muitas vezes regredimos a esse estado. Quando o parceiro nos valida, ele é perfeito; quando nos frustra, ele se torna o vilão da nossa história.

Que barra né, jogar essa responsa no outro!

Na vida real do casamento, existe a Ambivalência, que é o amadurecimento emocional (que Klein chama de posição depressiva) acontece quando finalmente percebemos que o objeto que amamos é o mesmo objeto que odiamos. No dia a dia de um casal, isso se manifesta em dinâmicas claras:

A Frustração das Expectativas O ódio surge não pela ausência de amor, mas pela dependência. Odiamos o parceiro justamente porque ele tem o poder de nos fazer felizes ou nos magoar.

A “Reparação” Esse é o conceito mais bonito de Klein. Ao sentirmos culpa pelo nosso ódio ou pela nossa agressividade (seja um pensamento rude ou uma briga), sentimos o impulso de “reparar” o dano. É o abraço após a discussão, o pedido de desculpas, o cuidado redobrado.

A aceitação de que a pessoa que me irrita profundamente é a mesma que me oferece abrigo é o maior sinal de maturidade em um relacionamento.

Mas fica um ALERTA….O PERIGO DE NÃO PERMITIR O ÓDIO

O maior problema dos casamentos modernos é a negação do ódio. Quando um casal acredita que sentir raiva é sinal de que o amor acabou, eles se tornam frágeis.

Aceitar essa ambivalência kleniana permite que o casal:

  1. Possa brigar sem medo de que o vínculo se quebre definitivamente.
  2. Entenda que o “ódio” momentâneo é apenas um protesto contra a frustração.
  3. Desenvolva a capacidade de perdoar, reconhecendo a própria imperfeição.

Agora, se a ambivalência é inevitável, o segredo não é reprimir o ódio, mas aprender a manejá-lo. Aqui vou te trazer quatro passos para lidar com esses momentos sem ferir permanentemente o vínculo entre o casal.

1. Diferencie o “Sentir” do “Agir” – Sentir ódio ou uma raiva avassaladora em um momento de conflito é humano. O problema começa quando transformamos esse sentimento em ataques cruéis, ofensas à identidade do outro ou silêncios punitivos. Reconheça para si mesmo: “Agora eu estou sentindo ódio porque me sinto frustrado”. Nomear o sentimento diminui a chance de ele virar um comportamento explosivo.

2. Pratique a “Pausa de Autorregulação” – Na teoria de Klein, quando o ódio domina, perdemos a capacidade de ver o outro como alguém bom. Se você sente que está prestes a “destruir” o parceiro com palavras, peça um tempo. Afastar-se por alguns minutos vai ajuda seu cérebro a sair do modo de ataque e permitir que você recupere a imagem total da pessoa — lembrando que ELA NÃO É APENAS AQUELE ERRO DO MOMENTO.

3. Substitua a Culpa pela Reparação – A culpa kleniana é produtiva quando gera o desejo de consertar. Se você passou dos limites, não se esconda na vergonha. A reparação é o “cimento” das relações maduras. Um pedido de desculpas genuíno, um gesto de carinho ou uma tentativa de entender o lado do outro reconstrói o objeto bom que foi “danificado” pela briga. AUTORRESPONSÁBILIDADE E RECONHECER SEUS ERROS É FUNDAMENTAL

4. Entenda a Projeção – Muitas vezes, o ódio que sentimos pelo parceiro é, na verdade, uma parte de nós que não aceitamos e “jogamos” nele (identificação projetiva). Antes de explodir, pergunte-se: “O que nessa atitude dele(a) está tocando em uma ferida minha que ainda não cicatrizou?”. Essa auto percepção transforma o conflito em oportunidade de autoconhecimento.

Essa matéria nos mostra que o conhecimento nos permite entender que amar e odiar a mesma pessoa não é uma patologia; é o reconhecimento de que o outro é um ser humano real, e não um ideal projetado. O casamento que sobrevive é aquele que aprendeu a integrar essas duas partes, entendendo que o amor é, no fim das contas, a capacidade de proteger o objeto amado da nossa própria agressividade.

 

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