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A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) afirmou neste domingo (14) que sua decisão de renunciar ao mandato não representa uma rendição política, mas sim um “marco de resistência” e um “alerta histórico”. A declaração foi feita por meio de uma carta divulgada por ela nas redes sociais.

No texto, Zambelli sustenta que a renúncia é uma forma de denúncia contra o que classifica como interrupção de seu mandato, mesmo após a Câmara dos Deputados ter rejeitado o pedido de cassação apresentado contra ela. Segundo a parlamentar, a decisão busca evidenciar um cenário que, na sua avaliação, extrapola o debate jurídico e atinge diretamente a representação popular.

“A minha saída não é um recuo, mas um gesto político”, afirmou. Para Zambelli, a permanência no cargo, diante do que considera uma série de pressões institucionais, deixaria de cumprir o papel de resistência que ela diz exercer desde o início do mandato.

Na carta, a deputada também afirma que sua renúncia deve ser interpretada como um registro histórico do momento político vivido pelo país, ressaltando que, mesmo sem a cassação aprovada pelo plenário da Câmara, ela entende que houve um esvaziamento prático de suas condições de atuação parlamentar.

Zambelli não detalhou quais serão seus próximos passos políticos, mas indicou que seguirá atuando no debate público e mantendo posicionamentos alinhados ao seu campo ideológico. A renúncia abre caminho para a posse do suplente do PL por São Paulo, conforme prevê a legislação eleitoral.

Presa na Itália

Atualmente, Carla Zambelli está presa na Itália, onde foi detida pelas autoridades locais após ingressar no país em meio ao avanço de decisões judiciais contra ela no Brasil. A prisão ocorreu no contexto de um pedido formal de extradição apresentado pelo governo brasileiro, que está em análise pela Justiça italiana. Por possuir cidadania italiana, o caso segue trâmite específico no sistema jurídico do país, o que torna o processo mais complexo e sem prazo definido para conclusão. Enquanto aguarda a decisão das autoridades italianas sobre a extradição, Zambelli permanece sob custódia, com sua situação jurídica ainda em aberto.

Alvo de processos

Carla Zambelli passou a ser alvo de processos no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados após uma sequência de episódios que ganharam grande repercussão nacional, especialmente durante e após o período eleitoral de 2022. O principal caso envolve o episódio em que a então deputada perseguiu um homem armada, em via pública, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, em São Paulo. As imagens circularam amplamente nas redes sociais e deram origem a investigações no âmbito criminal e a representações no Legislativo.

Além desse episódio, Zambelli também foi alvo de questionamentos por declarações públicas e postagens consideradas ofensivas ou incompatíveis com o decoro parlamentar por adversários políticos. Esses fatores resultaram na abertura de um processo de cassação, que acabou sendo levado ao plenário da Câmara.

Apesar da gravidade apontada por seus críticos, a maioria dos deputados votou contra a cassação, rejeitando a perda do mandato. Ainda assim, o caso continuou a gerar desgaste político e jurídico, alimentando embates entre aliados e opositores da parlamentar.

Principais símbolos do bolsonarismo

Carla Zambelli ganhou projeção nacional a partir de sua atuação como ativista política ligada a movimentos conservadores e de direita, tornando-se uma das principais apoiadoras do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua trajetória política é marcada por forte presença nas redes sociais e discurso combativo contra pautas associadas à esquerda e ao Supremo Tribunal Federal.

Eleita deputada federal por São Paulo, Zambelli construiu seu mandato com base em pautas ideológicas, defesa de valores conservadores e enfrentamentos frequentes no debate público. Ao longo do mandato, tornou-se uma das figuras mais polarizadoras do Congresso Nacional, acumulando grande visibilidade, apoio expressivo de sua base eleitoral e críticas contundentes de adversários.

Sua atuação consolidou seu nome como um dos principais símbolos do bolsonarismo no Parlamento, ao mesmo tempo em que a colocou no centro de controvérsias políticas e jurídicas que marcaram sua passagem pela Câmara dos Deputados.

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