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Brasil, México, Equador e Haiti compartilham uma característica neste ano que, longe de ser motivo de orgulho, acende um alerta para governos, forças de segurança e a sociedade civil.
Os quatro países latino-americanos aparecem entre os 10 mais perigosos do mundo em 2025, segundo o índice de conflitos divulgado nesta quinta-feira pela organização internacional ACLED (Armed Conflict Event Location and Data Project). O levantamento avalia a intensidade e a frequência de episódios de violência armada, confrontos entre grupos organizados, ataques contra civis e a capacidade do Estado de manter o controle territorial.
A presença de quatro países da América Latina entre os dez primeiros colocados chama atenção por romper um padrão histórico. Tradicionalmente, esse grupo era dominado por nações em guerra civil, conflitos internacionais ou colapsos institucionais prolongados. Em 2025, a violência associada ao crime organizado, à fragilidade institucional e à instabilidade política passou a colocar países latino-americanos no mesmo patamar de risco.
No caso do Brasil, o índice aponta que a atuação de facções criminosas, milícias e organizações ligadas ao tráfico extrapolou disputas pontuais, avançando sobre territórios estratégicos, rotas logísticas e áreas urbanas. A violência recorrente, os confrontos armados e os ataques contra civis pesaram para a inclusão do país no top 10, mesmo sem um conflito armado formal.
O México segue enfrentando níveis elevados de violência ligados à disputa entre cartéis do narcotráfico, com confrontos armados frequentes e ações que afetam diretamente a população civil. Já o Equador entrou de forma acelerada no ranking, impulsionado pelo avanço de facções, crise no sistema prisional e aumento expressivo da violência urbana nos últimos anos.
A situação mais grave na América Latina é a do Haiti, onde gangues armadas passaram a controlar bairros inteiros, estradas e pontos estratégicos, diante da ausência de um Estado funcional em várias regiões. O cenário é descrito como de colapso institucional, com violência contínua e imprevisível.
Segundo a ACLED, diferentemente de guerras tradicionais entre Estados, a violência registrada na América Latina apresenta características híbridas, misturando crime organizado, disputas políticas, corrupção e fragilidade das instituições públicas. O índice considera não apenas o número de mortes, mas também a recorrência dos episódios violentos e o impacto direto sobre a população civil.
Ranking dos países mais perigosos do mundo em 2025
O relatório completo aponta 20 países com os maiores níveis de conflito e violência neste ano, reunindo zonas de guerra ativa, países sob instabilidade crônica e, de forma inédita, quatro nações latino-americanas entre as dez primeiras posições.
Top 10
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Palestina (conflito armado intenso e ataques recorrentes contra civis)
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Ucrânia (guerra em larga escala e confrontos contínuos)
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Síria (conflito prolongado e instabilidade permanente)
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Sudão (guerra civil e colapso humanitário)
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Myanmar (conflitos internos e repressão armada)
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México (violência ligada ao narcotráfico e cartéis armados)
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Brasil (atuação do crime organizado e violência urbana persistente)
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Haiti (controle territorial por gangues armadas)
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Equador (expansão de facções e aumento acelerado da violência urbana)
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Afeganistão (instabilidade crônica e ataques armados)
Do 11º ao 20º lugar
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Iêmen (conflito prolongado e crise humanitária)
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Nigéria (conflitos regionais e violência extremista)
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Somália (ações terroristas e fragilidade estatal)
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Líbia (milícias armadas e ausência de autoridade central)
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Iraque (instabilidade política e violência residual)
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Sudão do Sul (conflitos étnicos e disputas armadas)
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Burkina Faso (violência jihadista e ataques a civis)
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Paquistão (insurgência e atentados frequentes)
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Camarões (conflitos internos e tensões armadas)
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Etiópia (confrontos regionais e instabilidade política)
