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A possível transferência do controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para grupos internacionais reacendeu uma discussão sobre o avanço da China na economia brasileira: afinal, quanto do patrimônio estratégico do país já está nas mãos de empresas chinesas?
O negócio envolve a venda de 68,6% das ações da CBA, participação que pertencia à Votorantim, por aproximadamente R$ 4,7 bilhões. Os compradores são a chinesa Aluminum Corporation of China (Chalco), ligada à estatal Chinalco, e a mineradora australiana Rio Tinto.
Pelo acordo, a empresa chinesa ficará com 67% da sociedade criada para controlar a participação na CBA, enquanto a Rio Tinto terá os 33% restantes. Portanto, não se trata de uma aquisição exclusivamente chinesa, mas de uma operação em que uma companhia vinculada ao Estado chinês terá a posição majoritária. O negócio recebeu aprovação do Cade em março de 2026, mas também depende de outras autorizações regulatórias.
O que empresas estatais chinesas já adquiriram no Brasil?
1. Energia elétrica: State Grid e CPFL
Um dos movimentos mais expressivos aconteceu no setor elétrico. A estatal chinesa State Grid chegou ao Brasil em 2010 e começou adquirindo concessionárias de transmissão de energia.
Naquele ano, comprou sete empresas responsáveis por linhas de transmissão. Nos anos seguintes, ampliou a atuação com novas aquisições e concessões.
O principal negócio veio em 2017, quando a companhia assumiu o controle da CPFL Energia. A operação envolveu a aquisição de participações de antigos acionistas e, posteriormente, a State Grid ampliou sua fatia até chegar a aproximadamente 83,7% da empresa. A CPFL atua em distribuição, geração e comercialização de energia elétrica, o que colocou a companhia chinesa em posição de destaque no setor brasileiro.
Outro movimento ocorreu em 2021, quando a State Grid adquiriu participação de aproximadamente 66% na CEEE-T, empresa de transmissão de energia do Rio Grande do Sul.
Imagem de um funcionário da CPFL realizando manutenção nas linhas de transmissão – Imagem: Reprodução/Internet
2. Hidrelétricas: China Three Gorges assumiu ativos da Duke Energy
Em 2016, a estatal chinesa China Three Gorges Corporation concluiu a compra dos ativos brasileiros da norte-americana Duke Energy. A operação foi avaliada em aproximadamente US$ 1,2 bilhão e envolveu dez usinas hidrelétricas, com capacidade instalada próxima de 2,1 mil megawatts.
Entre os ativos estavam oito hidrelétricas na região do rio Paranapanema, entre São Paulo e Paraná, além de duas pequenas centrais hidrelétricas no interior paulista.
A empresa também passou a operar as usinas de Jupiá e Ilha Solteira após vencer um leilão de concessão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nesse caso, é importante destacar: a operação foi uma concessão de longo prazo, não uma compra definitiva das usinas.
Imagem aérea com drone da UHE Ilha Solteira – Imagem: Ferdinando Ramos/Plus Images/CTG Brasil
3. Petróleo: participação chinesa no pré-sal de Búzios
A presença chinesa também chegou a uma das áreas mais estratégicas da indústria petrolífera brasileira: o pré-sal.
Em 2019, a Petrobras firmou parceria com duas companhias chinesas: a CNOOC e a CNODC. Cada uma ficou inicialmente com 5% dos direitos de exploração e produção do volume excedente da cessão onerosa no campo de Búzios, na Bacia de Santos. Em 2022, a CNOOC adquiriu mais 5% da participação da Petrobras, por aproximadamente R$ 10,3 bilhões.
Com a conclusão da operação, a divisão dos direitos no contrato de partilha passou a ser:
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Petrobras: 85%;
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CNOOC: 10%;
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CNODC: 5%.
O campo de Búzios não foi vendido e permanece sob controle da Petrobras. O que ocorreu foi a transferência de parcelas dos direitos de exploração e produção para as empresas chinesas.
FPSO P-77 no campo de Búzios. Imagem: Petrobras
4. Mineração Taboca: aquisição de uma mineradora na Amazônia
Em novembro de 2024, a China Nonferrous Trade (CNT), subsidiária da estatal chinesa China Nonferrous Metal Mining Group (CNMC), assinou um acordo para comprar 100% das ações da Mineração Taboca por US$ 340 milhões.
A empresa brasileira opera uma importante mina de estanho na região de Pitinga, no Amazonas, e também trabalha com outros minerais. A negociação representa um movimento estratégico para o grupo chinês ampliar sua presença no mercado de metais não ferrosos e garantir acesso a recursos minerais brasileiros.
Imagem aérea da Mina de Pitinga, área de mineração localizada em Presidente Figueiredo, no estado do Amazonas. Imagem: Internet
5. Níquel: negócios da Anglo American passam para grupo ligado à China Minmetals
Em fevereiro de 2025, a mineradora britânica Anglo American anunciou um acordo para vender todo o seu negócio de níquel no Brasil à MMG Singapore Resources, subsidiária da MMG Limited.
O negócio foi avaliado em até US$ 500 milhões e envolve duas operações em Goiás: Barro Alto e Codemin, em Niquelândia. Também inclui os projetos minerais de Jacaré, no Pará, e Morro Sem Boné, em Mato Grosso.
A MMG tem ligação com a estatal chinesa China Minmetals Corporation. A operação representa, portanto, mais um movimento de expansão de grupos chineses na mineração brasileira, embora seja necessário distinguir a estrutura societária da compradora de uma aquisição diretamente realizada pelo governo chinês.
Imagem da planta industrial de níquel da Anglo American, localizada em Barro Alto, Goiás. Imagem: Internet
6. CBA: alumínio brasileiro na mira da Chinalco
O negócio mais recente desta lista é justamente o da Companhia Brasileira de Alumínio. A Chinalco, por meio de sua subsidiária Chalco, terá participação majoritária na sociedade criada com a Rio Tinto para assumir os 68,6% da CBA que pertenciam à Votorantim.
A empresa brasileira atua em diferentes etapas da cadeia do alumínio, desde a mineração de bauxita até a produção do metal. O controle dessa estrutura é estratégico porque o alumínio é utilizado em setores como construção civil, transporte, geração de energia e fabricação de veículos elétricos.
O acordo de aproximadamente R$ 4,7 bilhões reforça o interesse de grupos internacionais pelas reservas minerais brasileiras e pela capacidade industrial instalada no país.
Fábrica da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) no interior de São Paulo. Imagem: Internet
Não são apenas compras: a China também investe em novos projetos
Além das aquisições, empresas chinesas vêm ampliando a participação em empreendimentos construídos no Brasil. Um levantamento do Painel China, do BRICS Policy Center, registra investimentos em diferentes setores, incluindo energia solar, eólica, transmissão elétrica, mineração e infraestrutura.
Entre os exemplos estão:
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SPIC: participação em projetos de geração de energia, incluindo empreendimentos solares e a usina termelétrica GNA, no Porto do Açu.
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State Grid: expansão de linhas de transmissão e aquisição de participações em empresas do setor.
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China Three Gorges: investimentos em hidrelétricas e parques eólicos.
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PowerChina: participação em projetos de energia solar.
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China Railway: atuação em obras relacionadas à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL).
Quanto dinheiro chinês já entrou no Brasil?
A dimensão dessa relação também aparece nos números. Segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China citado pela CNN Brasil em maio de 2025, a China havia investido aproximadamente US$ 66 bilhões no Brasil nos 14 anos anteriores.
Os recursos foram direcionados principalmente a setores como energia, infraestrutura, agronegócio e tecnologia. O número considera investimentos chineses de diferentes naturezas, não apenas aquisições realizadas por empresas estatais.
Outro levantamento, do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, com dados do Conselho Empresarial Brasil-China, aponta que companhias chinesas investiram US$ 73,3 bilhões em 264 projetos brasileiros entre 2007 e 2023. A diferença entre os valores está relacionada aos períodos e levantamentos utilizados.

