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Política – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, estabeleceu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o relatório parcial da Polícia Federal que indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas no caso envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
A decisão foi tomada nesta quarta-feira (4). Fachin também encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) os pedidos apresentados pelos investigados, para que a Procuradoria avalie as solicitações e indique as providências que considerar necessárias.
O relatório da PF, com mais de 700 páginas, foi enviado ao Supremo em 28 de outubro. Nele, os investigadores apontam Vorcaro como o principal responsável pela coordenação de uma organização criminosa e o indiciaram por suspeitas de gestão fraudulenta, indução a erro, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Quem são os 15 indiciados no caso Master
Além de Daniel Vorcaro, a Polícia Federal indiciou outras 14 pessoas relacionadas às estruturas e operações investigadas. A lista inclui ex-dirigentes do Banco Master e do BRB, além de pessoas ligadas à empresa Tirreno e à organização das operações financeiras.
Confira os nomes:
- Daniel Bueno Vorcaro, ex-controlador do Banco Master;
- Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, ex-presidente do BRB;
- Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro;
- Angelo Antônio Ribeiro da Silva, ex-diretor do Banco Master;
- Luiz Antonio Bull, ex-diretor do Banco Master;
- Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-diretor do Banco Master;
- Allan da Silva Machado, ligado à estrutura operacional do Master;
- Henrique Souza e Silva Peretto, ligado à Tirreno;
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ligado à Tirreno;
- Daniel Lopes Monteiro, advogado que atuou na estruturação das operações;
- Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor do BRB;
- Luana de Andrade Ribeiro, ex-integrante da diretoria do BRB;
- Cristiane Maria Lima Bukowitz, ex-integrante da diretoria do BRB;
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira, ex-integrante da diretoria do BRB;
- José Maria Correa Dias Junior, ex-integrante da diretoria do BRB.
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi indiciado por suspeita de gestão fraudulenta e organização criminosa.
Operações envolvem R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito
De acordo com a investigação, as operações entre o Banco Master e o BRB envolveram aproximadamente R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito, negociados entre julho de 2024 e outubro de 2025.
Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos negociados sem comprovação de existência, segundo a Polícia Federal.
A PF também solicitou ao Supremo a prorrogação do inquérito por mais 60 dias. O prazo adicional seria utilizado para concluir perícias e realizar diligências complementares.
O que acontece agora?
Com a manifestação da PGR, poderão ser solicitadas novas diligências ou apresentada uma denúncia, caso o Ministério Público entenda que há elementos suficientes para isso.
O indiciamento feito pela Polícia Federal não representa condenação. Cabe ao Ministério Público avaliar as provas e decidir se apresenta acusação formal à Justiça.
Relembre a Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de emissão de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional. Entre os crimes apurados estão gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para viajar a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Após quase uma semana detido preventivamente na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos.
Cerca de dez dias depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou que Vorcaro e outros quatro executivos do Master deixassem o presídio e passassem a cumprir medidas cautelares, entre elas monitoramento por tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar.
Em 4 de março de 2026, após quase quatro meses sob medidas cautelares, Vorcaro foi preso novamente por determinação do ministro do STF André Mendonça. A decisão ocorreu diante de suspeitas de que ele tentava interferir nas investigações relacionadas ao Banco Master.

