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Mundo – O ativista pró-democracia Joshua Wong foi condenado a mais 10 anos de prisão nesta quinta-feira (5), em Hong Kong, após uma segunda condenação relacionada à Lei de Segurança Nacional. A decisão amplia o período de encarceramento do opositor, que já cumpria pena de quatro anos e oito meses.
Wong se declarou culpado, em setembro, de conspirar com outros ativistas para solicitar sanções estrangeiras contra a China e Hong Kong em 2020. A nova condenação compromete a previsão de libertação do ativista, que estava marcada para janeiro de 2027.
Aos 30 anos, Wong ganhou projeção internacional ainda na adolescência, quando se tornou uma das principais figuras do movimento pró-democracia de Hong Kong.
Acusação envolve pedidos de sanções internacionais
Segundo os promotores, Wong participou de uma articulação para pressionar os Estados Unidos e outros países a aplicarem sanções contra autoridades chinesas e de Hong Kong.
A iniciativa teria envolvido campanhas nas redes sociais e reuniões com políticos norte-americanos, entre eles Nancy Pelosi, ex-presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, e Marco Rubio, então senador e atual secretário de Estado norte-americano.
De acordo com a acusação, as ações de pressão internacional continuaram mesmo depois da entrada em vigor da Lei de Segurança Nacional, em 2020. Após a promulgação da legislação, os Estados Unidos impuseram sanções a mais de uma dúzia de autoridades chinesas e de Hong Kong.
Lei de Segurança Nacional ampliou controle de Pequim
A Lei de Segurança Nacional foi imposta por Pequim a Hong Kong em 2020, após uma onda de grandes manifestações pró-democracia que começou em 2019. Os protestos, que também registraram episódios de violência, mobilizaram milhares de pessoas no território.
A legislação ampliou os poderes das autoridades para atuar contra atividades consideradas ameaças à segurança nacional. Desde sua implementação, veículos de comunicação críticos ao governo foram fechados e organizações civis foram dissolvidas.
O governo chinês e a administração de Hong Kong defendem que a lei contribuiu para restabelecer a estabilidade. Organizações de direitos humanos, por outro lado, afirmam que a medida restringiu a oposição política e tornou mais arriscadas as manifestações de críticas ao governo.
Líderes chineses já classificaram Wong e outros ativistas como separatistas.
Governo de Hong Kong rebate críticas internacionais
O processo contra Wong também provocou críticas internacionais. Em setembro, um porta-voz do governo de Hong Kong contestou as manifestações contrárias à ação judicial.
Segundo o representante, a liberdade de expressão não deve ser confundida com ações de colaboração com governos estrangeiros para impor sanções que prejudiquem a China.
Wong já havia sido condenado a quatro anos e oito meses de prisão após se declarar culpado em um julgamento por subversão, em 2024. A nova sentença de 10 anos representa uma segunda condenação relacionada à segurança nacional.

