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Iniciativa que começou em 2022 no Moinho ganhou autonomia, se tornou associação e fortalece pequenos negócios, dando visibilidade ao empreendedorismo na Zona Norte de Juiz de Fora.
Transformar uma ideia em negócio exige criatividade, dedicação e, muitas vezes, a oportunidade de encontrar espaço para mostrar o próprio trabalho. Para muitos pequenos empreendedores, conquistar visibilidade e chegar a novos consumidores está entre os principais desafios. Em Juiz de Fora, a Nossa Feira JF vem construindo uma trajetória que vai além da comercialização de produtos. A iniciativa aproxima quem produz de quem consome, cria oportunidades para pequenos negócios e fortalece uma rede de empreendedorismo que encontrou no Moinho, na Zona Norte da cidade, um espaço para crescer.
A história começou em 2022, quando o Moinho criou a chamada Feirinha. Naquele primeiro momento, a participação era destinada exclusivamente a empreendedores da Zona Norte. A organização e a seleção dos expositores ficavam sob responsabilidade do próprio empreendimento, e os participantes escolhidos por meio de edital não precisavam pagar para expor seus produtos.
Com o aumento das demandas, o projeto passou a contar com a parceria da Enactus, iniciativa de empreendedorismo social ligada à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A organização das feiras passou a ser conduzida em conjunto com o grupo, e a seleção foi ampliada para empreendedores de toda a cidade, permitindo que mais pessoas tivessem acesso à oportunidade.
A transformação mais significativa começou em 2023, quando o Moinho, em parceria com o Sebrae, ofereceu a Jornada Empreendedora. A capacitação, realizada ao longo do ano, permitiu que os participantes aprendessem sobre empreendedorismo na prática, assumindo a organização de diferentes edições da feira.
Os participantes foram divididos em dois grupos, cada um responsável pela organização de três edições. Ao final, as equipes se reuniriam para preparar uma feira especial de Natal. Foi nesse período que a iniciativa começou a ganhar a identidade que mantém até hoje.
“Era muita vontade de fazer acontecer, poucos conhecimentos, muitos desafios e a certeza da importância de fortalecer os pequenos negócios”, relembra Roberta, uma das responsáveis pela construção da Nossa Feira JF.
Os primeiros passos foram marcados por descobertas. O grupo tinha o espaço e os estandes disponibilizados pelo Moinho, mas ainda precisava entender como viabilizar a estrutura necessária para cada edição. Despesas com tendas, sonorização e divulgação passaram a fazer parte do planejamento. Aos poucos, os participantes compreenderam que seria necessário cobrar um valor dos expositores para custear parte dessas despesas.
Em outubro de 2023, a feira ganhou um perfil próprio nas redes sociais, com a criação do Instagram @nossafeirajf e o desenvolvimento de uma identidade visual. O que antes era divulgado principalmente pelos canais do Moinho começou a construir uma comunicação própria e uma relação mais próxima com os empreendedores e o público.
De aprendizado a um projeto coletivo
Em 2024, com o encerramento da Jornada Empreendedora, o Moinho convidou os participantes que haviam passado pela experiência para dar continuidade ao projeto. Quatro pessoas aceitaram inicialmente o desafio. Com o tempo, mudanças na equipe fizeram com que Roberta e Camilla permanecessem à frente da organização.
Mesmo diante das dificuldades, as duas decidiram continuar. A proposta era manter o trabalho de dar visibilidade aos pequenos negócios, criando condições para que os empreendedores pudessem ampliar suas vendas, fortalecer suas marcas e desenvolver novas oportunidades.
O crescimento da iniciativa trouxe também a necessidade de uma estrutura mais organizada. Em 2025, a Nossa Feira JF deu mais um passo ao se tornar uma associação sem fins lucrativos. A mudança permitiu ampliar a atuação e reunir outras pessoas em torno do mesmo propósito.
Atualmente, uma equipe com cerca de dez integrantes participa de diferentes etapas do trabalho, desde a produção de fotos e vídeos para divulgação até a organização das edições. O planejamento, a comunicação, o relacionamento com os expositores e o acompanhamento dos resultados passaram a fazer parte de uma estrutura que foi construída ao longo dos anos.
O apoio do Moinho continua sendo fundamental nesse processo. A disponibilização do espaço e da estrutura permite que a associação concentre esforços na organização e no desenvolvimento da feira, mantendo uma parceria que acompanha a iniciativa desde sua origem.
Os números de uma trajetória em crescimento
A evolução da Nossa Feira JF também pode ser observada nos resultados registrados ao longo dos últimos anos. Segundo dados reunidos pela organização a partir do retorno dos expositores, em 2024 foram realizadas dez edições, com a participação de 266 expositores e a venda de 6.092 produtos. A movimentação financeira informada chegou a R$ 108.017,12.
No ano seguinte, mesmo com duas edições a menos, os números cresceram. Foram 277 expositores, 6.938 produtos vendidos e R$ 126.687,09 movimentados em oito edições. A comparação mostra um aumento tanto na quantidade de produtos comercializados quanto no valor total das vendas.
Em 2026, a feira já registra uma movimentação de R$ 146.306,36, conforme o balanço parcial informado pela organização. A previsão é de sete edições ao longo do ano, mas os dados ainda não foram fechados.
Os resultados mostram que a feira movimenta não apenas as vendas dos expositores, mas também uma rede de pessoas e iniciativas que encontra no Moinho um espaço para crescer. Essa relação ganha ainda mais significado quando observada a partir da região onde o projeto acontece: a Zona Norte de Juiz de Fora.
Moinho: um novo olhar sobre a Zona Norte
A presença do Moinho na Zona Norte representa um marco na forma de pensar os espaços comerciais e as relações de consumo em Juiz de Fora. A região reúne uma população trabalhadora, atividades comerciais e uma economia ativa, mas nem sempre recebe a mesma atenção dedicada às áreas centrais da cidade. Nesse cenário, o empreendimento ajuda a ampliar a visibilidade de uma região que também produz, movimenta negócios e cria oportunidades.
Mais do que um centro comercial, o Moinho reúne diferentes experiências e aproxima empresas, empreendedores e consumidores. A interação entre CNPJs e CPFs ganha um novo significado quando pequenos negócios encontram espaço para apresentar seus produtos, compartilhar experiências e estabelecer conexões com o público. É uma dinâmica que vai além do consumo em massa e abre espaço para ideias, iniciativas e histórias de quem empreende.
A Nossa Feira JF representa essa proposta ao reunir produtores independentes em um ambiente de circulação de pessoas. A iniciativa contribui para fortalecer os negócios locais e ampliar o contato entre quem produz e quem consome. O visitante tem a oportunidade de conhecer os responsáveis pelos produtos, conversar sobre o processo de criação e descobrir histórias que nem sempre aparecem nas grandes redes de comércio.
Nesse contexto, o Moinho deixa de ser apenas um endereço para compras e se torna também um espaço de convivência, criatividade e oportunidades. A presença da feira ajuda a valorizar o trabalho de pequenos empreendedores e reforça o potencial econômico da Zona Norte, mostrando que o desenvolvimento também acontece por meio de iniciativas que aproximam pessoas e estimulam novas formas de fazer negócios.
No Moinho, não se consomem apenas produtos. Consomem-se ideias, experiências e possibilidades.
Da Zona Norte para outros espaços da cidade
O crescimento da iniciativa não ficou restrito ao Moinho. Ao longo dos anos, a Nossa Feira JF passou a participar de outros eventos e a levar seus expositores para diferentes públicos.
Em 2024, foi realizada uma edição no Clube Bom Pastor, em uma ação conjunta com o CEC e com proposta social. No ano seguinte, a iniciativa participou da Festa das Nações, um dos eventos tradicionais de Juiz de Fora, e também do Seu Mercado. Em 2026, a presença em outras programações continuou ampliando as possibilidades de exposição e comercialização para os participantes.
Essas experiências ajudam a fortalecer a rede de contatos dos empreendedores e mostram que a feira pode funcionar como ponto de partida para novas oportunidades. A participação em eventos de diferentes formatos também permite que os pequenos negócios alcancem consumidores que ainda não conheciam seus produtos.
A trajetória da Nossa Feira JF mostra como uma iniciativa pode se transformar quando pessoas e instituições se unem em torno de um objetivo comum. O que começou como uma feirinha voltada aos empreendedores da Zona Norte ganhou identidade própria, passou a ser conduzido por uma associação e hoje reúne uma equipe dedicada a criar oportunidades para pequenos negócios.
Em uma cidade cuja economia também é construída pelo trabalho de quem empreende em pequena escala, iniciativas como essa ajudam a mostrar que o desenvolvimento não se resume aos grandes investimentos. Ele também acontece nas bancas, nos produtos feitos à mão, nas ideias que ganham espaço e nas relações construídas entre quem produz e quem consome.
No Moinho, a Nossa Feira JF encontrou mais do que um endereço para realizar suas edições. Encontrou uma estrutura para crescer e um ambiente onde histórias de trabalho, criatividade e empreendedorismo podem ganhar visibilidade. Quando pequenos negócios encontram espaço para mostrar seu potencial, o que circula não são apenas produtos, mas ideias que ajudam a movimentar a cidade.

