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Flávio Bolsonaro contesta resultado das eleições
Reprodução Youtube
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Política – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aliados políticos de Flávio Bolsonaro (PL) defenderam o resultado do segundo turno das eleições presidenciais após a divulgação de uma carta em que o senador contestou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento, publicado na quarta-feira (28), alegava fraude eleitoral, mas não apresentava provas de irregularidades na votação.

Na primeira versão da carta, Flávio se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou a publicação e divulgou uma nova versão, sem a frase, na qual se apresentou como “líder” do país.

A manifestação provocou reações de integrantes da campanha do senador, dirigentes partidários e representantes da Justiça Eleitoral, que defenderam o reconhecimento do resultado e a contestação de eventuais dúvidas pelos meios legais.

TSE afirma que dados das urnas podem ser auditados

Após a publicação da carta, o TSE afirmou que os dados oficiais da votação estão disponíveis para consulta pública e auditoria.

Entre os arquivos acessíveis estão os Boletins de Urna, o Registro Digital do Voto e os registros de funcionamento dos equipamentos. Esses documentos permitem consultar informações como os horários de início e encerramento da votação e a quantidade de eleitores que votaram em cada seção.

O presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, também divulgou uma nota afirmando que as eleições transcorreram dentro da normalidade e em conformidade com as normas legais e constitucionais.

Segundo o magistrado, as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral permitiram concluir a apuração com segurança, apesar de instabilidades na reta final da votação. Ele acrescentou que questionamentos apresentados pelos meios legais serão analisados.

Tarcísio pede respeito ao resultado das urnas

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu que a oposição respeite o resultado eleitoral e atue dentro das instituições democráticas.

Em nota, Tarcísio disse compreender a indignação de Flávio e afirmou que esse sentimento é compartilhado por parte dos brasileiros. Apesar disso, ressaltou que a eleição terminou e que o momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição atuante.

O governador também defendeu que os oposicionistas exerçam seu papel institucional, contribuindo para o funcionamento dos mecanismos de controle entre os Poderes.

Na terça-feira (27), Tarcísio já havia reconhecido publicamente o resultado das urnas. Na ocasião, afirmou que reconhecer a vitória de Lula não significava deixar de criticar eventuais excessos do governo.

O governador também declarou que havia recomendado a Flávio que permanecesse no Brasil após a derrota e disse não saber que o senador pretendia viajar para os Estados Unidos.

Rogério Marinho diz que acusações precisam de provas

Outro aliado que se manifestou contra o teor da carta foi Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio e líder da oposição no Senado.

Marinho afirmou que não poderia declarar que houve fraude eleitoral sem apresentar evidências. Segundo ele, o documento refletia um desabafo de alguém que se sentia injustiçado.

O senador também disse que não havia sido consultado previamente sobre a publicação. Ele afirmou ainda não saber como Flávio pretendia coordenar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.

Partidos aliados também reconhecem vitória de Lula

O União Brasil, que apoiou Flávio no segundo turno, divulgou nota afirmando que reconhecia a lisura do processo eleitoral e defendia o respeito ao resultado.

A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, já havia se posicionado pelo reconhecimento da vitória de Lula. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, declarou que a soberania popular havia se manifestado livremente nas urnas.

Republicanos, Podemos e MDB, que também declararam apoio a Flávio durante o segundo turno, reconheceram a vitória do petista.

Carta questiona horário de votação

No documento, Flávio voltou a contestar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou até as 19h a votação em locais onde ainda havia eleitores aguardando para votar.

O senador citou a medida como argumento para questionar o resultado e alegou que ela teria provocado uma suposta “impossibilidade matemática”. Entretanto, não apresentou provas de fraude eleitoral.

Segundo os dados oficiais citados na reportagem, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.

Dados do TSE indicaram que 34.393 votos foram registrados após as 17h. Mesmo se todos esses votos tivessem sido destinados a Lula, o total seria inferior a 1% da diferença final entre os candidatos.

No domingo (25), Nunes Marques já havia afirmado que a extensão do horário não comprometeu a segurança da eleição.

Flávio está nos Estados Unidos

Após a divulgação do resultado eleitoral, Flávio afirmou que pretendia pedir a anulação da votação, mas integrantes de sua campanha disseram posteriormente que ele havia desistido de contestar a validade do pleito.

Na quarta-feira (28), o senador chegou a Miami, nos Estados Unidos, após viajar com a família e passar pela Argentina e pelo Equador.

Na carta, ele confirmou que estava no exterior e afirmou que pretendia liderar a oposição a partir de fora do Brasil.

Até a publicação do documento, as acusações de fraude apresentadas pelo senador não haviam sido acompanhadas de provas que demonstrassem irregularidades capazes de alterar o resultado da eleição.

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