|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Educação – Com o Enem 2026 marcado para os dias 8 e 15 de novembro, os candidatos entram na reta final de preparação para o exame. Mesmo quem estudou durante o ano pode encontrar questões difíceis ou ficar em dúvida entre alternativas. Nessas situações, surge uma pergunta comum: vale mais a pena chutar ou deixar a questão em branco?
Segundo especialistas em educação, a recomendação é tentar responder a todas as questões, mesmo quando não há certeza sobre a alternativa correta. Isso porque deixar uma questão sem resposta elimina qualquer possibilidade de acerto.
Vanessa Santos, gerente de projetos educativos e avaliação educacional do Poliedro, explica que, na correção pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), uma questão em branco tem o mesmo efeito de uma resposta errada.
A TRI considera não apenas o número de acertos, mas também a consistência do conjunto de respostas do candidato. Por isso, acertar questões de diferentes níveis de dificuldade de maneira coerente com o desempenho geral é importante para a avaliação.
Como a TRI influencia a nota do Enem?
A Teoria de Resposta ao Item é o método utilizado pelo Enem para calcular as notas das provas objetivas. O sistema considera características estatísticas das questões e o padrão de respostas de cada participante.
Isso significa que dois candidatos com a mesma quantidade de acertos podem obter notas diferentes, dependendo de quais questões acertaram.
A TRI não identifica com certeza se uma resposta correta foi resultado de conhecimento ou sorte. O que o método permite é estimar a proficiência do participante a partir da consistência de suas respostas.
Por isso, acertar questões consideradas fáceis e médias é importante para construir um padrão de desempenho coerente. Ainda assim, não existe garantia de que um chute será desconsiderado ou de que uma resposta correta terá sempre o mesmo valor.
Como chutar com mais estratégia?
Quando não souber a resposta, o candidato pode aumentar suas chances eliminando alternativas que claramente não fazem sentido.
Leonardo Monteiro, gerente sênior de ensino da Fundação Bradesco, destaca que muitas vezes o estudante consegue descartar opções incorretas mesmo sem dominar completamente o conteúdo.
Se uma questão apresenta cinco alternativas e o candidato consegue eliminar duas, por exemplo, a chance teórica de acertar ao escolher aleatoriamente entre as três restantes passa de 20% para aproximadamente 33%, supondo que apenas uma delas esteja correta.
A estratégia, portanto, é evitar escolhas precipitadas. Antes de marcar uma alternativa, vale reler o enunciado, identificar o que está sendo perguntado e usar as informações disponíveis para eliminar respostas improváveis.
Vale a pena deixar as questões difíceis para depois?
Sim. Os especialistas recomendam começar pelas questões que o candidato consegue resolver com mais segurança e retornar às mais difíceis depois.
Gastar muitos minutos em uma única pergunta pode comprometer o tempo disponível para outras questões que seriam respondidas corretamente.
Vanessa Santos aconselha que o estudante pule temporariamente as perguntas que provocarem muita dificuldade, sem se preocupar em resolvê-las imediatamente. Depois de avançar pelas demais, poderá voltar com mais calma.
Leonardo Monteiro também recomenda dividir a prova em duas etapas: primeiro, resolver as questões mais acessíveis; depois, revisar aquelas que ficaram pendentes.
Uma pausa breve para respirar e reorganizar a atenção também pode ajudar. Em alguns casos, após avançar pela prova, o estudante consegue interpretar melhor uma questão que parecia impossível no início.
Leia o comando da questão antes do texto
A interpretação dos enunciados é outra habilidade importante no Enem. Textos, gráficos, tabelas, charges e tirinhas costumam apresentar informações que precisam ser relacionadas ao conteúdo estudado.
Vanessa Santos alerta que conhecer o assunto não basta se o candidato não compreender exatamente o que a questão solicita. É possível dominar o conteúdo e, ainda assim, marcar uma alternativa inadequada por responder a uma pergunta diferente da apresentada.
Uma estratégia recomendada é começar pela leitura do comando da questão. Assim, o estudante identifica o que precisa encontrar e pode procurar no texto-base as informações relevantes para chegar à resposta.
A orientação também vale para as chamadas questões testlet, modelo em que um mesmo texto-base serve de referência para várias perguntas. Nesse formato, compreender o material uma vez pode ajudar a responder diferentes itens relacionados.
Reserve tempo para preencher o cartão-resposta
Outro erro que pode prejudicar o resultado é deixar o preenchimento do gabarito para os últimos minutos, sem tempo suficiente para concluir a tarefa.
Leonardo Monteiro recomenda reservar os 15 a 20 minutos finais para transferir as respostas ao cartão-resposta. A organização do tempo ajuda a evitar que questões resolvidas fiquem sem marcação por falta de atenção ou pelo encerramento da prova.
Durante o exame, o candidato pode fazer pequenas marcações no caderno de questões para identificar aquelas que precisam ser revisadas. Também deve acompanhar o tempo restante e evitar permanecer preso a uma única pergunta.
Confira as principais estratégias para o Enem 2026
- Responda a todas as questões: deixar em branco elimina a possibilidade de acerto.
- Comece pelas mais fáceis: avance primeiro naquelas que consegue resolver com segurança.
- Elimine alternativas: descarte opções incompatíveis com o enunciado antes de escolher.
- Leia o comando com atenção: identifique exatamente o que a questão pede.
- Volte às perguntas difíceis: marque as pendências e retome-as na segunda etapa da prova.
- Controle o tempo: evite gastar muitos minutos em uma única questão.
- Reserve de 15 a 20 minutos para o gabarito: confira se todas as respostas foram transferidas corretamente.
Na reta final de preparação, a estratégia não é apenas saber o conteúdo, mas também administrar o tempo e manter a atenção. Mesmo diante das questões mais difíceis, uma escolha feita com critério oferece uma possibilidade de acerto que uma resposta em branco não oferece.

