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Uma troca de mensagens por WhatsApp entre os ministros Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques expôs o clima de tensão no Supremo Tribunal Federal (STF) após o julgamento que manteve o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Segundo reportagem do Metrópoles, Gilmar manifestou a suspeita de que Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux teriam atuado de forma combinada no caso. Os ministros citados contestam as acusações.
O episódio ocorreu após a Segunda Turma do STF formar maioria, em 8 de setembro, para manter a decisão de Mendonça que afastou Andrei do comando da PF. Gilmar havia pedido vista do processo às 10h01. De acordo com a reportagem, Fux apresentou voto às 10h04 e Nunes Marques, às 10h06, ambos acompanhando o relator.
A sequência levou Gilmar a levantar, em conversas privadas, a hipótese de uma articulação entre os colegas. O decano também teria afirmado que a sessão havia sido acertada previamente. A reportagem registra que votar após um pedido de vista não é uma prática comum na Corte.
A divergência passou então para o WhatsApp. Em uma das mensagens divulgadas pela coluna, Gilmar cobrou que os colegas deixassem os processos e abrissem suas contas. Nunes Marques respondeu pedindo respeito e classificando a abordagem como inadequada.
O diálogo escalou, com Gilmar dizendo que Nunes Marques não deveria julgar temas relacionados ao caso e cobrando também sua saída do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nunes Marques respondeu que não continuaria a conversa sem respeito e afirmou não ter problemas em apresentar suas contas. Segundo reportagem posterior do Metrópoles, o ministro acabou bloqueando Gilmar no aplicativo.
Suspeitas envolvendo o caso Master
As cobranças de Gilmar também alcançaram informações obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Master. A coluna de Andreza Matais informou que conversas extraídas do aparelho associam o nome do advogado Kevin Nunes Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, ao valor de R$ 500 mil.
Em uma mensagem de julho de 2025, o então diretor jurídico do Banco Master enviou a Vorcaro um arquivo com o nome de Kevin e a referência a “500 mil mês”. Em outra troca, de agosto, afirmou que o valor teria sido pago. Nunes Marques declarou que o filho nunca trabalhou para o Banco Master e não recebeu dinheiro da instituição. Kevin Marques também negou ter prestado serviços ao banco ou recebido recursos de Vorcaro.
Após a divulgação das informações, Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento que decidirá se o STF deve investigar Alexandre de Moraes por relações atribuídas a ele com Vorcaro, segundo a reportagem do Metrópoles.
Outro ponto citado no conflito envolve Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux. Reportagem do mesmo veículo revelou mensagens nas quais Vorcaro procurou o advogado para pedir ajuda em um caso. Rodrigo Fux se colocou à disposição e marcou uma videoconferência com o banqueiro.
Gilmar questiona atuação de Mendonça
Segundo a coluna, Gilmar também acusa André Mendonça de ter conduzido medidas relacionadas às investigações de forma seletiva. A reportagem cita relatório de inteligência da Polícia Federal que apontaria diferenças no tempo de análise de pedidos envolvendo diferentes políticos.
De acordo com o documento mencionado pelo Metrópoles, medidas contra nomes ligados ao governo, como Jaques Wagner, teriam recebido decisões mais rápidas do que solicitações relacionadas a políticos da oposição, entre eles Claudio Castro. A interpretação de Gilmar é de que Mendonça teria poupado informações que atingiam colegas e, posteriormente, recebido apoio deles no julgamento da Segunda Turma.
Essa é, contudo, uma acusação atribuída a Gilmar Mendes e não uma conclusão estabelecida pelas informações divulgadas. André Mendonça e Luiz Fux negaram de forma enfática as suspeitas relatadas pela coluna.

