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Educação – O Brasil terminou o Pisa 2025 com desempenho abaixo da média dos países da OCDE nas três áreas avaliadas pelo exame: matemática, ciências e leitura. Entre os 89 países e economias participantes, o pior resultado brasileiro foi em matemática, área em que o país ficou na 71ª posição.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e mostram que os resultados brasileiros permaneceram próximos aos registrados na edição de 2022.
Em matemática, os estudantes brasileiros alcançaram média de 377 pontos, enquanto a média da OCDE foi de 463. Em ciências, o Brasil marcou 409 pontos, contra 482 dos países da organização. Já em leitura, a média brasileira foi de 408 pontos, diante de 463 na OCDE.
No ranking, o Brasil ficou em 71º lugar em matemática, 67º em ciências e 52º em leitura.
Matemática concentra o pior desempenho
A matemática foi a área em que os estudantes brasileiros apresentaram maior dificuldade. Apenas 28% alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado o patamar básico da avaliação. Na média da OCDE, esse percentual chegou a 65%.
Na prática, isso significa que cerca de sete em cada dez estudantes brasileiros avaliados não conseguem interpretar e reconhecer, sem receber instruções diretas, como uma situação simples pode ser representada matematicamente.
O desempenho nos níveis mais avançados também foi baixo. Quase nenhum estudante brasileiro atingiu os níveis 5 ou 6, considerados de alta proficiência. Na média da OCDE, 8% dos alunos alcançaram esse patamar.
Em 13 países e economias participantes, mais de 10% dos estudantes chegaram aos níveis mais altos de matemática.
Ciências também fica distante da média
Em ciências, 48% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência. A média entre os países da OCDE foi de 74%.
O nível 2 representa a capacidade de reconhecer explicações corretas para fenômenos científicos familiares e utilizar esse conhecimento para avaliar se uma determinada conclusão é válida.
O resultado mostra que mais da metade dos estudantes brasileiros não atingiu esse patamar.
Entre os alunos de alto desempenho, apenas 1% chegou aos níveis 5 ou 6 em ciências. Na média da OCDE, esse grupo representa 7% dos estudantes.
Mais da metade não atinge nível básico em leitura
Em leitura, 49% dos brasileiros de 15 anos alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência. Na média da OCDE, o percentual foi de 69%.
Isso significa que mais da metade dos estudantes brasileiros não consegue, de acordo com os critérios da avaliação, identificar a ideia principal de um texto de comprimento moderado.
A parcela de alunos com desempenho elevado também é pequena: apenas 1% dos estudantes brasileiros atingiu os níveis 5 ou 6, contra 6% na média da OCDE.
Apesar do resultado, a leitura foi a área em que o Brasil apresentou sua melhor posição no ranking geral, ficando em 52º lugar entre os 89 participantes.
Brasil mantém desempenho parecido com 2022
Apesar das posições no ranking, os resultados de 2025 não representam uma mudança significativa em relação à edição anterior do Pisa.
Em 2022, o Brasil havia registrado 379 pontos em matemática, 403 em ciências e 410 em leitura. Em 2025, as médias foram de 377, 409 e 408 pontos, respectivamente.
A pequena variação mostra uma relativa estabilidade no desempenho brasileiro, mas também evidencia a dificuldade do país em avançar de forma significativa nos indicadores de aprendizagem.
Como o Brasil ficou na América Latina
Entre os países latino-americanos participantes, o Brasil apresentou um desempenho intermediário. O país ficou atrás de Uruguai, Chile, Costa Rica, Colômbia e México no resultado geral.
Por outro lado, os estudantes brasileiros tiveram médias superiores às registradas por Peru, Equador, Argentina, El Salvador e Paraguai. Nenhum dos países latino-americanos alcançou a média geral da OCDE nas áreas avaliadas.
Em matemática, o Brasil ficou atrás de Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia.
Já em leitura, o desempenho brasileiro foi relativamente melhor. O país ficou atrás apenas de Chile e Uruguai entre os latino-americanos avaliados.
Quais países tiveram os melhores resultados?
As jurisdições chinesas de Beijing, Shanghai, Jiangsu e Zhejiang, consideradas conjuntamente na avaliação, e Singapura apareceram entre os melhores desempenhos do Pisa 2025 nas três áreas.
Também se destacaram Estônia, Japão, Coreia, Macao, Taipei Chinesa e Reino Unido.
O relatório da OCDE aponta ainda que a edição de 2025 registrou a menor média da organização já observada nas três principais áreas avaliadas pelo Pisa.
Pisa aponta mudanças na leitura na era da inteligência artificial
Além de medir o desempenho dos estudantes, o Pisa 2025 identificou mudanças importantes nas habilidades relacionadas à leitura em um cenário de uso crescente de inteligência artificial.
O relatório aponta uma queda em competências como avaliação de informações, estabelecimento de conexões entre dados de diferentes fontes e pensamento crítico.
Outro destaque foi o crescimento da leitura apressada. Segundo a avaliação, esse comportamento quase dobrou desde 2018.
Os resultados colocam em evidência não apenas o desafio de melhorar as notas dos estudantes brasileiros, mas também a necessidade de fortalecer habilidades que ganharam ainda mais importância diante do aumento da quantidade de informações disponíveis e do uso de ferramentas de inteligência artificial.

