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Lei da Reciprocidade
Reprodução internet
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Política – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu adiar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica em resposta ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Embora mantenha críticas à decisão americana, o Palácio do Planalto avalia que uma reação imediata pode ampliar as tensões comerciais entre os dois países.

Enquanto isso, representantes da indústria defendem a continuidade das negociações para evitar impactos sobre as exportações brasileiras e possíveis demissões em setores afetados pelas novas tarifas.

Governo diz que reciprocidade será usada no momento adequado

Após o anúncio das tarifas de 25% pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o governo brasileiro informou inicialmente que utilizaria os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.

No entanto, integrantes do Palácio do Planalto passaram a defender cautela, avaliando que uma resposta imediata poderia levar o governo americano a ampliar as sanções comerciais.

Durante coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o instrumento continua disponível para o governo.

“Nós temos uma Lei da Reciprocidade aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la. É um instrumento jurídico importante que o governo analisará o momento e a forma de fazer.”

Lula critica tarifas e reforça disposição para negociar

Nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil sempre buscou o diálogo com os Estados Unidos e voltou a defender negociações diplomáticas.

“Desde o primeiro momento, buscamos o diálogo e enfatizamos nossa disposição de negociar. Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas.”

O governo brasileiro também classificou o novo pacote tarifário como um “marco lastimável” na relação entre os dois países.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que as tarifas “não têm racionalidade”, considerou “descabidas” as críticas americanas ao Pix e classificou como “inaceitáveis e ofensivas” as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contra o presidente brasileiro.

Câmara apoia possibilidade de reciprocidade

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou apoio ao uso da Lei da Reciprocidade Econômica caso seja necessário proteger os interesses do país.

Em nota, Motta afirmou defender o diálogo entre países, mas criticou o uso de barreiras comerciais como instrumento de pressão política.

“Contamos com a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso, como instrumento legítimo de defesa dos interesses nacionais.”

Disputa comercial amplia debate político

O aumento das tarifas também repercutiu no cenário político brasileiro.

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, para atribuir ao governo Lula a responsabilidade pela crise comercial.

Por outro lado, integrantes da base governista acusaram aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de incentivarem as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil.

O que é a Lei da Reciprocidade Econômica?

A Lei da Reciprocidade Econômica autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas contra países que imponham tarifas, barreiras comerciais ou restrições consideradas abusivas aos produtos brasileiros.

Caso seja aplicada, o processo começa com a atuação do Itamaraty junto à Câmara de Comércio Exterior (Camex), responsável por analisar se as medidas adotadas por outro país se enquadram nos critérios previstos pela legislação antes da adoção de eventuais respostas comerciais.

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