|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Política – A manutenção da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro foi recebida com alívio por aliados do ex-presidente devido às questões de saúde que motivaram a medida. No entanto, integrantes do grupo político avaliam que as restrições impostas ao regime domiciliar dificultam a articulação da campanha eleitoral e ampliam o isolamento de Bolsonaro em um momento de crise interna no PL.
Nos bastidores, a avaliação é de que a limitação de visitas reduz a influência direta do ex-presidente sobre decisões estratégicas e sobre o conflito envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.
Restrições dificultam articulação política
Na decisão que prorrogou a prisão domiciliar, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve as regras estabelecidas em março.
Entre elas, permanece proibida a visita de aliados políticos à residência de Bolsonaro. Segundo a decisão, a restrição busca evitar riscos de infecção durante o tratamento de saúde do ex-presidente.
Durante o período em que esteve preso no Centro de Detenção Provisória da Papuda, em Brasília, Bolsonaro recebeu diversas lideranças políticas, transformando o local em um ponto de reuniões com aliados e pré-candidatos.
Com a mudança para a prisão domiciliar, esses encontros deixaram de ser permitidos.
Crise entre Michelle e Flávio preocupa aliados
Segundo apuração da CNN Brasil, integrantes do PL afirmam, sob reserva, que a dificuldade de acesso ao ex-presidente impede uma compreensão clara sobre sua posição diante da crise envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.
O conflito ganhou repercussão pública após declarações da ex-primeira-dama e passou a dividir lideranças do partido às vésperas do início oficial da campanha eleitoral.
Nos bastidores, aliados consideram importante uma manifestação direta de Bolsonaro para reduzir as tensões internas, mas reconhecem que as restrições impostas pelo regime domiciliar limitam esse papel.
Filhos e advogados têm acesso autorizado
A decisão judicial permite que os filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro visitem o ex-presidente em dias e horários previamente estabelecidos, seguindo regras semelhantes às de um estabelecimento prisional.
Os advogados também podem realizar visitas diárias, com duração de até 30 minutos, mediante revezamento.
Como Flávio Bolsonaro integra oficialmente a equipe de defesa do pai, ele também pode utilizar o horário destinado aos advogados para encontrá-lo.
De acordo com informações, o senador tem recorrido a esse mecanismo para conversar com o ex-presidente e buscar orientações relacionadas à condução de sua pré-campanha.
Cenário político segue indefinido
Enquanto Bolsonaro permanece em prisão domiciliar, aliados avaliam que sua capacidade de coordenar pessoalmente estratégias eleitorais ficou reduzida.
Ao mesmo tempo, o PL enfrenta o desafio de administrar divergências internas e manter a unidade do grupo em um período considerado decisivo para a organização da disputa eleitoral.

