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Educação – Veto ao celular nas escolas já apresenta impactos positivos no ambiente escolar. Um levantamento divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostra que 86% dos gestores de escolas públicas e privadas perceberam redução da ansiedade entre os estudantes após um ano da entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de aparelhos celulares nas instituições de ensino.
Além da melhora no bem-estar emocional, a pesquisa aponta avanços na convivência entre os alunos, com redução de conflitos, agressões e casos de cyberbullying.
Pesquisa avaliou o primeiro ano da lei
O levantamento analisou como as escolas públicas e privadas implementaram a legislação, os desafios enfrentados e os impactos da medida no cotidiano escolar.
Segundo o Inep, foram enviados questionários para 8.189 escolas selecionadas por sorteio probabilístico. Ao todo, 2.469 instituições responderam à pesquisa com dados considerados válidos.
Entre os principais resultados, destacam-se:
- 86% dos gestores perceberam redução da ansiedade entre os estudantes;
- 88% afirmaram que houve diminuição de conflitos, agressões digitais e casos de cyberbullying;
- 55% observaram redução de conflitos e agressões físicas dentro das escolas.
MEC destaca importância da convivência no ambiente escolar
Durante a apresentação dos resultados, a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, ressaltou que a escola vai além da transmissão de conteúdos.
Segundo ela, a convivência entre os estudantes é parte fundamental do processo de aprendizagem.
“Se relacionar mais com telas do que com pessoas é um problema para escolas, que não é um lugar apenas para transmissão de conteúdo. O aprendizado também se dá no diferente. O ambiente escolar e a convivência em grupo são um ativador da aprendizagem”, afirmou.
Especialista vê benefícios para o bem-estar dos estudantes
Para Beatriz Alquéres, gerente-executiva de Políticas Públicas do Instituto Ayrton Senna, os dados reforçam que a restrição ao uso de celulares também contribui para o desenvolvimento emocional dos estudantes.
Segundo a especialista, reduzir distrações e a pressão causada pelo uso constante dos aparelhos favorece a convivência, fortalece vínculos e cria melhores condições para o aprendizado.
Ela também defende que as escolas estabeleçam limites saudáveis e ofereçam atividades que incentivem o autoconhecimento e a interação entre os alunos.
Quase todas as escolas já adotaram a medida
A pesquisa mostra que 92% das instituições de ensino já implementaram o veto ao celular nas escolas.
Entre as principais ações adotadas estão:
- 66% estabeleceram sanções para quem descumprir as regras;
- 63% promoveram diálogo com as famílias;
- 62% atualizaram o regimento interno;
- 61% realizaram consultas e escuta ativa com os estudantes;
- 60% investiram na formação de profissionais sobre a nova legislação;
- 59% incentivaram atividades de convivência e brincadeiras coletivas.
Apesar dos resultados positivos, os gestores apontaram alguns desafios. Os principais são a adesão dos estudantes às novas regras e a falta de infraestrutura para armazenar os aparelhos, ambos citados por 39% dos entrevistados. Outros 31% mencionaram dificuldades na fiscalização durante aulas e intervalos.
Como as escolas armazenam os celulares
O levantamento também revelou como as instituições lidam com os aparelhos durante o período escolar:
- 62% deixam o celular guardado na mochila do estudante;
- 33% recolhem os aparelhos na secretaria ou recepção;
- 21% permitem que o aluno permaneça com o aparelho sem utilizá-lo;
- 15% utilizam caixas ou armários coletivos dentro da sala de aula;
- 10% disponibilizam armários ou escaninhos individuais;
- 8% utilizam caixas coletivas em corredores ou pátios.
Os resultados mostram que, embora existam diferentes estratégias de armazenamento, a maioria das escolas já incorporou a legislação ao cotidiano e percebe benefícios na convivência e no ambiente de aprendizagem.

