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Jaques Wagner
Reprodução Agência Senado
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Política – A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira (19) a nona fase da Operação Compliance Zero, que tem entre os alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A investigação apura suspeitas de vantagens econômicas indevidas relacionadas a pessoas próximas ao parlamentar e a empresas ligadas ao Banco Master.

Jaques Wagner nega irregularidades e afirma que não é réu nem foi denunciado. Entenda os principais pontos do caso.

1. Por que Jaques Wagner é alvo da investigação?

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador teria recebido benefícios econômicos de forma direta ou indireta por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas relacionadas ao Banco Master.

Os investigadores apontam uma relação próxima entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e responsável por operações financeiras que, segundo a PF, beneficiariam o parlamentar.

2. O que foi apreendido pela Polícia Federal?

Durante a operação, os agentes encontraram cerca de 55 mil dólares (aproximadamente R$ 284 mil) e 33 mil euros (cerca de R$ 196 mil) em endereços ligados ao senador em Brasília e Salvador.

Os valores estavam em um quarto de hotel na capital federal frequentado pelo parlamentar. A defesa de Jaques Wagner afirmou que os recursos são provenientes de diárias legais recebidas em missões internacionais e que não foram utilizadas.

3. Quais vantagens indevidas são investigadas?

A PF investiga o suposto pagamento de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador. Segundo os investigadores, o imóvel teria sido adquirido por uma empresa considerada de fachada para beneficiar o senador.

Além disso, a corporação cita o uso de jatinhos particulares ligados a Augusto Lima ou ao Banco Master, ingressos para shows internacionais em Los Angeles e pagamentos destinados a uma empresa vinculada ao núcleo familiar do parlamentar.

4. Qual é a relação com o Banco Master?

As investigações apontam que a amizade entre Jaques Wagner e Augusto Lima teria se fortalecido entre 2017 e 2018, quando ambos passaram a manter relações comerciais.

A PF também analisa se a atuação legislativa do senador em propostas relacionadas ao crédito consignado e ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria beneficiado interesses ligados ao Banco Master.

Mensagens e registros telefônicos obtidos pelos investigadores indicam contatos entre executivos ligados à instituição financeira, assessores do senador e o próprio parlamentar.

5. O que diz a defesa do senador?

Em nota, Jaques Wagner afirmou que não é acusado formalmente no processo e que acompanha as investigações com tranquilidade.

A assessoria do parlamentar também declarou que o apartamento citado pela PF “jamais integrou o patrimônio do senador” e negou qualquer atuação em favor do Banco Master ou de outras instituições financeiras.

Operação provoca desgaste político no PT

Nos bastidores, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutem a permanência de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado. Segundo informações da CNN Brasil, integrantes do partido se dividem entre os que defendem sua permanência e os que avaliam que um afastamento temporário poderia evitar desgaste para a campanha de reeleição de Lula.

A Operação Compliance Zero investiga crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Desde o início das apurações, em 2024, a Polícia Federal estima que as apreensões relacionadas ao caso somem cerca de R$ 230 milhões.

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