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Mundo – Uma mulher e sua filha de seis anos foram retiradas à força de um centro de saúde no leste da República Democrática do Congo por homens armados, aumentando a preocupação das autoridades sanitárias com a possível disseminação do vírus ebola na região.
O caso ocorreu na noite de segunda-feira (15), próximo à cidade de Butembo, na província de Kivu do Norte. Segundo autoridades locais, a criança havia testado positivo para ebola e estava sob acompanhamento médico quando o grupo invadiu a unidade de saúde.
Criança diagnosticada com ebola foi levada do local
De acordo com informações divulgadas pelas autoridades provinciais, os invasores estavam armados com facas e retiraram a mulher e a filha da clínica sem apresentar qualquer justificativa.
O comunicado oficial não identificou os responsáveis pela ação nem esclareceu a motivação do ataque.
Até o momento, as duas continuam desaparecidas, o que preocupa especialistas envolvidos no combate ao surto da doença.
Autoridades alertam para risco de transmissão
O gerente da resposta ao ebola em Kivu do Norte, o médico Lubambo Maboko Gaston, fez um apelo para que mãe e filha retornem imediatamente a uma unidade de tratamento.
Segundo ele, além do risco de agravamento do quadro clínico da criança, existe a possibilidade de transmissão do vírus para familiares e pessoas próximas.
As equipes de saúde seguem tentando localizar as duas para evitar novos contágios e garantir o tratamento adequado.
Insegurança dificulta combate ao surto
O episódio evidencia os desafios enfrentados pelas autoridades sanitárias na região leste da República Democrática do Congo, onde conflitos armados, violência e desconfiança da população frequentemente dificultam as ações de combate ao ebola.
Nos últimos anos, equipes médicas, centros de tratamento e profissionais envolvidos no rastreamento de casos foram alvo de diversos ataques, comprometendo estratégias fundamentais para conter a propagação da doença.
Segundo as autoridades, nenhum profissional de saúde ficou ferido durante a invasão. O centro médico não contava com proteção permanente das forças de segurança.
Kivu do Norte é uma das áreas mais afetadas
Dados divulgados pelo governo congolês mostram que a província de Kivu do Norte já registrou 67 casos confirmados de ebola e 38 mortes relacionadas à doença.
A região é atualmente a segunda mais afetada pelo surto, atrás apenas da província de Ituri, responsável por mais de 90% dos casos registrados no país.
Em nível nacional, as autoridades contabilizam 837 infecções e 196 mortes associadas ao surto em andamento.
Surto continua mobilizando autoridades
O desaparecimento da criança infectada ocorre em um momento delicado para os esforços de contenção do vírus. Especialistas alertam que a identificação rápida de pacientes, o isolamento de casos confirmados e o monitoramento de contatos são medidas essenciais para evitar novas cadeias de transmissão.
A busca pela mulher e pela filha continua, enquanto equipes médicas e autoridades locais tentam evitar que o incidente agrave ainda mais a situação sanitária na região.

