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Política – A melhoria da classe política brasileira também depende de transformações na própria sociedade, segundo avaliação do sociólogo e cientista político Carlos Alberto Almeida. Para ele, comportamentos e valores presentes entre políticos também refletem características da população que eles representam.
A análise foi feita durante entrevista ao programa WW Especial: A campanha que começa discute o que importa?, apresentado por William Waack. A edição foi exibida neste domingo (16).
Patrimonialismo também aparece na relação com a política
Durante a entrevista, Almeida discutiu o chamado patrimonialismo, conceito utilizado para descrever situações em que interesses públicos e privados são tratados de maneira inadequadamente misturada.
Na avaliação do sociólogo, esse comportamento não deve ser observado apenas entre integrantes da classe política. Ele considera que os valores existentes na sociedade ajudam a explicar determinadas práticas adotadas por representantes eleitos.
Nesse sentido, uma mudança na política brasileira dependeria também de transformações no comportamento social.
Políticos evitam medidas impopulares por incentivo eleitoral
Outro ponto abordado pelo sociólogo foi a dificuldade de políticos adotarem determinadas medidas consideradas necessárias, mas que podem provocar rejeição entre os eleitores.
Segundo Almeida, o incentivo eleitoral influencia as decisões tomadas por representantes políticos. Como políticos dependem do apoio dos eleitores para permanecerem em seus cargos, existe uma tendência de evitar medidas que possam gerar desgaste junto à população.
A relação cria um ciclo em que as expectativas da sociedade influenciam o comportamento dos políticos, enquanto as decisões tomadas por esses representantes também ajudam a moldar o debate público.
“Os políticos refletem para onde o país vai”
Durante a entrevista, Almeida também comentou mudanças na forma como candidatos se autodeclaram racialmente ao longo de diferentes eleições.
Ele citou como exemplo o caso de Flávio Dino, que se declarou branco em uma candidatura ao governo do Maranhão e pardo em uma candidatura posterior. Atualmente, Dino é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o sociólogo, mudanças desse tipo podem ser compreendidas dentro de transformações mais amplas da sociedade e da maneira como determinados grupos passam a se identificar.
“Os políticos refletem para onde o país vai”, afirmou Almeida.
A avaliação integra uma discussão mais ampla sobre a relação entre sociedade, comportamento eleitoral e atuação dos representantes políticos em um período marcado pela aproximação das eleições de 2026.

