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O Brasil do policial Bomba Anabol do salário “merreca”

 

Na semana passada houve na Paraíba a prisão de um grupo de pessoas que revendia para traficantes drogas apreendidas pelo polícia. Nesse grupo havia dois investigadores e um delegado de polícia.

A operação do Gaeco e da polícia civil paraibana que conduziu essas prisões teve o sugestivo nome de “Perfídia”. Ainda que pérfido seja um adjetivo muito suave para qualificar os componentes presos desse bando.

O caso ganhou repercussão nacional por causa de alguns áudios em que um dos investigadores presos justificava as ações criminosas. O sujeito teve um nome caprichado escolhido pelos pais: Everton Rychelyson da Silva Aires. Chama a atenção a sofisticação dos dois “Y” no Rychelyson. Mas para desgosto do pai e da mãe, o Everton é muito mais conhecido pelo apelido: “Bomba Anabol”, muito mais significativo em relação às atividades dele do que o “Rychelyson”.

Bomba revendia as drogas e também anabolizantes. E a explicação dele é ainda mais significativa do que o codinome: “É negócio. Um negócio como qualquer outro. Em vez de vender relógio, vende droga.”

Se a droga é roubada da própria polícia onde ele devia tomar conta dela, paciência. Se venda de droga é crime de tráfico, mais paciência ainda. A justificativa é de uma cara-de-pau patética: “A polícia paga merreca.” Quem escolheu a carreira de policial não foi ele? O salário líquido de R$ 8,5 mil é muito pequeno, mesmo, perto dos R$ 4 milhões que ele movimentou na conta dele em 5 anos, sem cuidado nenhum, como se não houvesse amanhã. Mas é maior do que a de 98% dos trabalhadores brasileiros ocupados.

O triste é que Bomba Anabol não é exceção amaldiçoada. É quase regra geral admirada. O país exibe para o mundo um Daniel Vorcaro que ganha bilhões com fraudes e ostenta milhões em festas. O Congresso mantém um senador, Ciro Nogueira, acusado de ganhar mesada de R$ 300 mil dele. O mesmo Ciro Nogueira que tem a desfaçatez de apresentar uma emenda apelidada de Master para beneficiar o bandido que paga a mesada dele. Ou seja: todo o Congresso sabia da mesada e da intenção da emenda.

A frouxidão de princípios se dissemina. O vale tudo se justifica para ganhar montanhas de dinheiro e ostentar nas redes sociais. As influenciadoras Deolane Bezerra e Virgínia Fonseca confessaram fraudes e crimes na CPI das Bets no ano passado e saíram pela porta da frente do Congresso tirando selfies com senadores e deputados.

Estimativas apontam para um número entre 50 e 60 milhões de brasileiros vivendo sob condições impostas por traficantes, milícias e facções do crime organizado.

As crianças e adolescentes dessas áreas recebem como modelos bandidos andando livremente pelas ruas em motos e carros novinhos em folha, usando correntes de ouro e bermudas, camisetas e tênis de grifes, enquanto pais e avós assustados e intimidados tentam sobreviver com o minguado salário mínimo da aposentadoria.

O presente que nós estamos vivendo é cinzento. O futuro que nós estamos preparando é mais sombrio ainda.

O caráter Bomba Anabol e o vale tudo para se para turbinar a merreca estão avançando.     

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