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Brasil – Depois de anos marcados por secas severas e incêndios históricos, parte do Pantanal voltou a registrar paisagens tomadas pela água em 2026. Na região do Paiaguás, considerada a maior sub-região da planície alagada, áreas inteiras estão novamente inundadas, transformando o cenário local e reacendendo discussões sobre o futuro do bioma.

Apesar da recuperação visual e ambiental em algumas áreas, especialistas alertam que o cenário ainda inspira cautela. O risco de novas secas e queimadas permanece elevado, especialmente diante da possível chegada do fenômeno El Niño.

Região do Paiaguás volta a registrar grandes áreas alagadas

Na porção sul-mato-grossense do Pantanal, moradores e pesquisadores descrevem uma paisagem que não era vista há anos.

Em algumas áreas do Paiaguás, o deslocamento voltou a depender de pequenas embarcações e aeronaves, resultado do aumento no volume de água acumulado.

Segundo Ângelo Rabelo, diretor do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), a recuperação chama atenção pela dimensão.

“Fazia tempo que não ficava nessas condições. Traz uma beleza. Como um aquário natural”, afirmou.

A percepção, porém, não significa retorno aos níveis históricos máximos de inundação. Especialistas afirmam que a cheia atual ainda está abaixo de períodos considerados normais em décadas anteriores.

Pantanal saiu de anos críticos de seca e incêndios

O bioma enfrentou nos últimos anos uma sequência de eventos extremos.

Em 2023, o Pantanal registrou mais de 4 mil focos de incêndio em novembro, recorde para o mês. Já em junho de 2024, foram contabilizados mais de 2 mil focos, também a maior marca histórica para o período.

Em 2025, a situação foi menos intensa, mas ainda cercada por preocupação.

Dados do MapBiomas mostram que o Pantanal foi o bioma brasileiro que mais perdeu superfície de água. Em 2024, a redução acumulada chegou a 61% em relação à média histórica.

El Niño pode aumentar risco de queimadas em 2026

Mesmo com a paisagem temporariamente recuperada, organizações ambientais e órgãos técnicos alertam para possíveis dificuldades nos próximos meses.

A ONG SOS Pantanal informou que o volume de chuvas nas cabeceiras dos rios ficou abaixo do esperado durante a estação chuvosa, cenário que pode favorecer novas secas.

Outro fator de preocupação é o provável desenvolvimento do fenômeno El Niño.

Segundo análises técnicas, o evento climático costuma elevar temperaturas e aumentar períodos secos em partes da região pantaneira, ampliando a vulnerabilidade a incêndios florestais.

Por esse motivo, o governo federal já mantém estado de emergência ambiental em áreas do bioma, medida que permite acelerar contratações e reforçar ações preventivas.

Transformação do rio Taquari mudou paisagem local

A volta da água ao Paiaguás também está ligada a mudanças ambientais acumuladas nas últimas décadas.

Pesquisadores apontam que alterações no rio Taquari provocaram processos conhecidos como avulsões, quando o leito do rio se eleva acima das margens e muda seu curso natural.

O fenômeno foi agravado por ocupação desordenada e assoreamento.

Como consequência, antigas áreas produtivas foram inundadas, propriedades foram abandonadas e a dinâmica natural da região passou por transformações profundas.

Hoje, o cenário mistura recuperação visual, biodiversidade abundante e preocupação permanente com o futuro.

O Pantanal volta a impressionar pela água. Mas especialistas alertam: a recuperação ainda pode ser temporária.

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