|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Brasil – O aumento dos casos de feminicídio no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas e autoridades. Mesmo com a redução de outros crimes violentos no país, os assassinatos de mulheres continuam crescendo, evidenciando os desafios no enfrentamento da violência de gênero.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram que o país registrou 1.571 feminicídios em 2025, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Para especialistas, fortalecer o acolhimento às vítimas desde a primeira denúncia e ampliar o acompanhamento de agressores são medidas fundamentais para evitar novas mortes.
Crescimento dos feminicídios contrasta com queda de outros crimes
Enquanto indicadores como homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte apresentaram redução, a violência praticada dentro de casa segue em alta.
Segundo o gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques, esse cenário demonstra que a violência doméstica continua sendo um dos principais desafios da segurança pública no país.
“Se a gente, de alguma forma, está vendo uma redução das principais modalidades de violência que acontecem no ambiente público, a violência que acontece dentro das casas, dentro dos lares, ela segue crescendo. Ela cresce contra mulheres, ela cresce contra crianças e adolescentes, o que torna tudo isso bem preocupante.”
Dados revelam o ciclo da violência antes do feminicídio
O levantamento também mostra que, em muitos casos, os sinais de violência já haviam sido registrados antes do crime.
Entre as vítimas de feminicídio:
- 30% denunciaram perseguição antes de serem mortas;
- 17% sofreram violência psicológica;
- também foram identificados casos de violência patrimonial, quando o agressor impede a mulher de administrar o próprio dinheiro, trabalhar ou ter acesso às próprias contas bancárias.
Especialistas destacam que a violência costuma seguir um ciclo, iniciando com formas de controle patrimonial e psicológico antes de evoluir para agressões físicas e, em alguns casos, para o feminicídio.
Perfil das vítimas reforça vulnerabilidades
Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam um perfil predominante entre as vítimas:
- 65% eram mulheres negras;
- 56% tinham entre 25 e 44 anos;
- 62% foram assassinadas dentro da própria residência;
- em 96% dos casos, o autor do crime era um homem.
Os números reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção da violência doméstica e ao fortalecimento das redes de proteção às mulheres.
Acompanhamento das vítimas e dos agressores é apontado como prioridade
Especialistas e gestores da área de segurança defendem que o combate ao feminicídio passa pelo acolhimento imediato das vítimas desde o registro da primeira denúncia.
Além da assistência à mulher, o monitoramento dos agressores também é considerado essencial. Entre as medidas adotadas em diferentes estados estão o uso de tornozeleiras eletrônicas, o cumprimento de medidas protetivas e o afastamento do agressor do ambiente familiar.
Estados registram redução nos casos em 2026
Dados do Ministério da Justiça mostram que alguns estados apresentaram queda nos registros de feminicídio no primeiro semestre de 2026.
Entre eles estão:
- Pernambuco: de 51 para 35 casos;
- Minas Gerais: de 77 para 72;
- Piauí: de 25 para 10;
- Maranhão: de 30 para 16.
Embora os números ainda sejam elevados, a redução é acompanhada por órgãos de segurança como exemplo de estratégias que podem contribuir para diminuir a violência letal contra as mulheres.
Distrito Federal é citado como referência
O Distrito Federal também aparece entre os exemplos positivos no enfrentamento ao feminicídio.
Entre as iniciativas adotadas estão o acompanhamento contínuo de vítimas por equipes especializadas e o serviço 190 Mulher, que permite o acionamento silencioso da polícia e agiliza o envio de viaturas em situações de risco.
Especialistas avaliam que a integração entre segurança pública, Poder Judiciário, assistência social e sociedade civil é um dos caminhos para reduzir os índices de feminicídio no país.

