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Mundo – A crise política e social na Bolívia continua provocando impactos profundos na população. Um relatório preliminar divulgado pela Defensoria dos Direitos Humanos do país aponta que os conflitos registrados entre 1º de maio e 2 de junho deixaram dez mortos, 365 pessoas detidas e dezenas de feridos, além de ampliarem os problemas de abastecimento e acesso a serviços essenciais.
O documento destaca que o prolongamento das manifestações e bloqueios vem afetando diretamente direitos fundamentais e agravando a instabilidade no país sul-americano.
Relatório aponta mortos, centenas de presos e feridos
Segundo o levantamento oficial, 365 pessoas foram detidas durante o período analisado. Deste total, 247 já foram liberadas, enquanto outras 118 permanecem sob custódia ou respondendo a processos relacionados aos conflitos.
O relatório também contabiliza 37 feridos, entre civis, policiais e profissionais da imprensa.
As dez mortes registradas ainda passam por processo de verificação. A Defensoria informou que investiga se todos os casos possuem relação direta com os confrontos e bloqueios registrados nas últimas semanas.
Defensoria alerta para violações de direitos
O documento afirma que o prolongamento da crise vem produzindo impactos cumulativos sobre a população boliviana.
Entre os direitos afetados estariam o acesso à saúde, à alimentação, à liberdade pessoal, à integridade física e à liberdade de expressão.
Outro ponto destacado foi a situação enfrentada pelos jornalistas. Segundo o relatório, profissionais de comunicação sofreram pelo menos 28 episódios de agressões, ameaças, restrições de cobertura e danos a equipamentos.
As ocorrências teriam sido praticadas tanto por manifestantes quanto por agentes de segurança.
Governo ameaça ampliar medidas contra bloqueios
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou que novas medidas poderão ser adotadas caso os bloqueios continuem afetando a economia e a circulação de produtos no país.
Nos últimos dias, forças de segurança realizaram operações para liberar rodovias estratégicas próximas a Carreras, região agrícola ao sul de La Paz.
A retomada dessas vias permitiu restabelecer parcialmente o fluxo de alimentos e mercadorias que abastecem a capital boliviana, que vinha registrando dificuldades de abastecimento.
Crise começou com combustível e ganhou dimensão política
Os protestos na Bolívia ultrapassaram um mês de duração e começaram com reclamações relacionadas a remessas de combustível contaminado.
Com o avanço da mobilização, novas reivindicações passaram a ser incorporadas, incluindo demandas salariais, críticas econômicas e disputas políticas.
Durante pronunciamento recente, Rodrigo Paz acusou o ex-presidente Evo Morales de utilizar movimentos sociais como instrumento político em meio aos seus problemas judiciais.
Enquanto isso, o Congresso boliviano segue discutindo medidas legislativas relacionadas a estados de exceção, em um cenário que ainda apresenta incertezas sobre os próximos desdobramentos da crise.

