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calor extremo nas cidades brasileiras
Reprodução Paulo Pinto/Agência Brasil
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Brasil – A maior parte das cidades brasileiras ainda não está preparada para enfrentar o avanço das ondas de calor e dos eventos climáticos extremos. Um estudo divulgado nesta semana pela presidência brasileira da COP30 e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) revelou que 66% dos municípios avaliados ainda não iniciaram ou estão apenas começando a elaborar planos específicos para lidar com temperaturas extremas.

O levantamento faz parte da iniciativa Mutirão Contra o Calor Extremo (Beat the Heat), ligada à Coalizão pelo Resfriamento (Cool Coalition), e analisou dados de 53 cidades brasileiras. O resultado acende um alerta sobre a capacidade de adaptação urbana diante de um cenário climático cada vez mais desafiador.

Calor extremo já é visto como ameaça pelas cidades

Segundo a pesquisa, 93% dos gestores municipais reconhecem o calor extremo como um problema relevante. Além disso, 68% apontam o fenômeno entre os três maiores desafios locais.

Apesar disso, o reconhecimento do problema ainda não se traduziu em ações práticas. A pesquisa identificou lacunas importantes relacionadas à governança, uso de dados e acesso a financiamento.

Entre os principais gargalos apontados:

  • 75% das cidades não usam dados estruturados para orientar decisões;
  • 85% dependem de recursos externos para implementar medidas de adaptação;
  • Apenas 42% possuem sistemas geográficos para mapear áreas de risco.

Soluções naturais predominam, mas faltam medidas estruturais

As cidades que já adotam medidas de adaptação priorizam ações ligadas à natureza. Aproximadamente 77% investem em iniciativas como arborização urbana, ampliação de áreas verdes, criação de espaços sombreados e recuperação de áreas úmidas.

Por outro lado, estratégias consideradas fundamentais para reduzir a sensação térmica nas áreas urbanas ainda são pouco utilizadas. Medidas como pavimentos permeáveis, ventilação cruzada em edifícios, isolamento térmico e materiais refletivos aparecem em menos de 21% dos municípios pesquisados.

O estudo também mostra que o tema ainda tem baixa presença nas políticas públicas permanentes. Mais de 80% das cidades ainda não criaram critérios sustentáveis para compras públicas relacionadas ao resfriamento urbano.

Ondas de calor representam risco crescente à saúde

Os pesquisadores destacam que calor extremo vai além de dias isoladamente quentes. O problema ocorre quando o calor acumulado durante o dia não se dissipa à noite, criando um efeito contínuo que afeta pessoas, infraestrutura e serviços essenciais.

Dados do Pnuma indicam que o fenômeno provoca cerca de 500 mil mortes por ano no mundo. No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor foram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas, superando os registros relacionados a enchentes e deslizamentos no mesmo período.

A CEO da COP30, Ana Toni, afirmou que enfrentar essa nova realidade exige cooperação entre governos, sociedade civil e setor privado.

“O calor extremo é uma catástrofe a conta-gotas que torna territórios menos habitáveis e altera profundamente a rotina das pessoas”, destacou.

Possível Super El Niño aumenta preocupação

A preocupação ganha força diante das projeções para o segundo semestre de 2026. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) reforçou previsões sobre a possível formação de um Super El Niño.

O fenômeno pode provocar secas severas e incêndios no Norte e Nordeste, intensificar ondas de calor no Centro-Oeste e aumentar o risco de chuvas extremas na Região Sul.

Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes pretendem desenvolver políticas municipais completas para enfrentar o problema, enquanto 28% planejam intervenções em regiões consideradas mais vulneráveis.

Especialistas alertam que acelerar essas medidas será essencial para proteger a população diante do avanço das mudanças climáticas.

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