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 Flávio Bolsonaro e o Mala Pé-Frio                           

 

O pastor Silas Malafaia abençoou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Faz duas semanas. Foi no dia 3 de maio, um domingo. Flavio Bolsonaro ajoelhou no palco para receber a tal bênção. Dá pra imaginar que a atmosfera estivesse pra lá de carregada. Estava na cerimônia de bênção Cláudio Castro, ex-governador do Rio, condenado por abuso de poder político e econômico e captação ilícita de recursos na campanha de reeleição em 2022. Inelegível por 8 anos. Também acompanhava o ato Marcelo Crivella, ex-prefeito do Rio, também condenado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2016 e 2020, censura contra a Bienal do Livro e difusão de notícias falsas contra o adversário Eduardo Paes em campanha, e também inelegível.

Tinha muito mais gente nesse culto. Mas nem é necessário pesquisar outros nomes. Malafaia, Castro e Crivella juntos já basta e sobra.

Não tinha como dar certo.

10 dias depois da bênção, o repórter Thalys Alcântara, do Intercept Brasil, pergunta publicamente a  Flavio Bolsonaro:

“Senador, por que o filme do seu pai foi bancado pelo Vorcaro?”.

Flavio Bolsonaro responde dizendo que é mentira e diz que o repórter é “militante”. Algumas horas depois, o Intercept divulga áudios de conversas em que o senador cobra do então banqueiro o pagamento de uma parte dos R$ 134 milhões de financiamento do filme que estava atrasada. E então o senador muda a versão, reconhece as conversas e diz que não respondeu na hora por causa de uma “cláusula de confidencialidade”.

Talvez Flávio Bolsonaro seja mesmo bom nessa coisa de guardar segredo. Irmão. Irmãozinho.

Mas podia escolher um pouco melhor as companhias.

Malafaia já tinha dado azar pra turma antes, E deu azar também depois.

Foi ele que organizou atos pela anistia a Bolsonaro e outros acusados por tentativa de golpe. Teve ato em Brasília em maio de 2025, em São Paulo em setembro de 2025, em Brasília de novo em outubro. Deu tudo errado. Foram todos condenados pelo STF e a anistia, pela qual ele pressionava o Congresso, flopou geral.

Já dava para perceber que Malafaia é urubuzento.

E agora, dois dias depois, do tsunami na campanha de Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro, que também deve ter pegado uma rebarba azarenta daquela bênção do dia 3, é alvo de busca e apreensão em nova operação da Polícia Federal, a Sem Refino, que investiga fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial envolvendo a antiga refinaria de Manguinhos.   

Se Flavio Bolsonaro quer disputar a eleição, será que não deveria se cercar de gente boa de voto em vez de políticos campeões em ilicitudes e condenações?

E por falar em campeão, quero deixar aqui registrado um pedido ao pastor Silas Malafaia:

“Pelo amor de Deus, fica longe da Vila Belmiro, estádio do meu Santos. Não abençoa a seleção brasileira que vai pra Copa. Nem o Neymar. Deixa ele quieto.”

Meu avô sempre repetia: “Dize-me com quem andas e te direi quem és”. Não sei o que o avô do Flávio dizia para ele. Mas as evidências são abundantes pra alguém soprar na orelha dele:

“Fica longe do Cláudio Castro e do Marcelo Crivella.”

“Fica longe desse Mala Pé-Frio.”

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