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Baixada Santista – A greve de médicos no Hospital Santo Amaro, no Guarujá, tem provocado impactos diretos na saúde pública da cidade e levantado preocupação entre moradores, pacientes e profissionais da área médica. O hospital é o único da cidade com atendimento 100% SUS e, atualmente, mantém apenas os serviços de pronto-socorro e atendimentos considerados emergenciais.
Segundo informações apuradas pelo ISN, a paralisação acontece devido à falta de pagamento dos profissionais desde janeiro deste ano. Médicos das áreas de vascular, traumatologia e ginecologia estão entre os afetados.
Apesar da manutenção dos atendimentos de urgência, diversos procedimentos considerados eletivos foram suspensos. Entre eles estão cesarianas agendadas, laqueaduras e trocas de curativos na traumatologia. Com isso, pacientes que não apresentam quadros considerados emergenciais estão sendo encaminhados para hospitais em Santos, cidade vizinha.
Gestantes relatam insegurança durante a greve
A situação tem gerado apreensão especialmente entre gestantes do município. Mulheres com mais de 38 semanas de gestação precisam realizar exames frequentes de controle de vitalidade fetal, como a cardiotocografia, para monitorar a saúde do bebê.
Esse acompanhamento é importante porque, no fim da gravidez, a placenta já não funciona com a mesma eficiência do início da gestação. Após as 40 semanas, aumenta o risco de sofrimento fetal e da eliminação de mecônio, conhecido popularmente como o bebê “fazer cocô” ainda dentro do útero.
Segundo relatos recebidos pelo ISN, o hospital não está realizando esse acompanhamento preventivo de forma eletiva. Gestantes têm sido orientadas a buscar atendimento em Santos mesmo em situações de monitoramento contínuo.
Uma moradora relatou que precisa viajar à cidade vizinha a cada dois dias para realizar o exame de controle de vitalidade porque está com 40 semanas de gestação e não consegue atendimento no Hospital Santo Amaro.
Suspensão de cesarianas eletivas preocupa pacientes
As cesarianas eletivas também estão suspensas. Esse tipo de procedimento costuma ser previamente indicado em casos de risco, como gestantes com hipertensão arterial, diabetes gestacional ou outras condições que podem colocar mãe e bebê em perigo.
Nesses casos, o parto pode ser programado antes do início do trabalho de parto justamente para evitar complicações. No entanto, sem a realização desses procedimentos, especialistas alertam que situações consideradas controladas podem evoluir rapidamente para emergências obstétricas.
Atualmente, apenas pacientes com sinais considerados graves, como sangramento ativo, bolsa rota ou trabalho de parto em andamento, continuam sendo atendidas normalmente na maternidade do hospital.
Trauma e vascular também sofrem impactos
Na traumatologia, pacientes relatam dificuldades até mesmo para procedimentos básicos de acompanhamento. Um vídeo que circulou nas redes sociais da Baixada Santista mostrou um pai acionando a polícia após o hospital se recusar a realizar a troca de curativo da filha, que havia passado por cirurgia anteriormente.
De acordo com o relato, o procedimento não foi considerado emergencial pela unidade.
Além disso, a suspensão parcial dos atendimentos aumentou a procura por unidades de saúde da família (Usafas) e clínicas particulares da região, que já enfrentam sobrecarga.
Hospitais de Santos enfrentam aumento na demanda
Com pacientes sendo direcionados para Santos, hospitais da cidade vizinha também passaram a enfrentar maior fluxo de atendimentos, especialmente nas áreas de maternidade e traumatologia.
A situação levanta questionamentos sobre o acesso da população mais vulnerável aos serviços de saúde.
Como ficam os pacientes que não têm condições financeiras de pagar consultas particulares? Ou aqueles que sequer possuem recursos para o deslocamento até outra cidade?
Para muitos moradores do Guarujá, a greve evidencia um problema ainda maior: a dependência de um único hospital público para atender toda a população da cidade.
Hospital não respondeu aos questionamentos
A reportagem do ISN tentou contato com representantes do Hospital Santo Amaro para obter posicionamento sobre a greve, os pagamentos atrasados e a suspensão dos serviços, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.
