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O empresário Flávio Cruz Barbosa, de 49 anos, foi morto a facadas pelo próprio funcionário na manhã desta quarta-feira (6), dentro da oficina OUD, localizada no Setor de Oficinas Norte (SOF Norte), no Lago Norte, no Distrito Federal. O autor do crime foi identificado como Eduardo Jesus Rodrigues, de 24 anos, que havia começado a trabalhar no local havia apenas um dia.
Após o homicídio, Eduardo foi até um bar próximo à oficina, ainda com a faca usada no crime e com uma das mãos suja de sangue. Segundo relato de um comerciante vizinho, o homem se sentou no local e pediu, tranquilamente, uma água e um cigarro. Ele foi preso em flagrante por policiais militares do 3º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e encaminhado à 5ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte.
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o crime foi premeditado. A corporação informou ainda que o autor sofre de transtornos mentais. O caso é investigado pela 5ª Delegacia de Polícia, responsável pela área central.
O crime aconteceu por volta das 11h30. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Eduardo entrou na oficina e atacou o patrão, que estava sentado. O primeiro golpe foi um chute no rosto de Flávio. Em seguida, o funcionário passou a golpeá-lo com uma faca.
Na sequência, o empresário foi derrubado e continuou sendo agredido. O autor também usou uma roda para atacar a vítima. Depois, arrastou o corpo de Flávio pelo chão da oficina, deixando um rastro de sangue no local. O empresário morreu ainda no estabelecimento.
Um comerciante vizinho contou que, entre 11h e 11h20, ouviu um barulho semelhante ao de metal e roda caindo no chão. No momento, ele não estranhou, porque a região é marcada pela rotina de oficinas e costuma ter muitos ruídos. Além disso, ele e um funcionário descarregavam ração, o que abafou parte dos sons.
Poucos minutos depois, o comerciante viu Eduardo saindo da oficina com a faca suja de sangue. Foi nesse momento que percebeu a gravidade da situação.
“Ele se sentou no bar aqui do lado, se sentou e pediu tranquilamente uma água e um cigarro”, relatou o comerciante.
A Polícia Militar confirmou que o autor foi encontrado no bar ao lado da oficina. Segundo o major Edimar Oliveira, Eduardo estava sentado, com uma garrafa de água e fumando. Ele não resistiu à abordagem.
Ainda conforme o major, o homem confessou o crime no momento da prisão e afirmou que a motivação teria sido vingança. Ele também disse aos policiais que tinha problemas psicológicos.
Em depoimento à Polícia Civil, Eduardo assumiu o assassinato e deu detalhes sobre o crime. Ele chegou a afirmar que é “uma boa pessoa” e que não se considera perigoso. Também declarou ser usuário de drogas, mas disse estar sem usar entorpecentes desde o início do ano.
Durante o depoimento, o autor alegou ter sido vítima de um estupro coletivo há quatro anos e afirmou que o patrão estaria entre os envolvidos. Ele também fez comentários relacionados à máfia e disse que vinha sendo alvo de zombarias e ameaças. Segundo a Polícia Civil, o rapaz apresenta transtornos mentais.
Questionado sobre a premeditação, Eduardo disse que já não estava “mais aguentando”. Ele afirmou que Flávio teria zombado dele, feito ameaças contra ele e contra o tio, que foi quem o indicou para trabalhar na oficina.
A Polícia Militar informou que Eduardo tem antecedentes criminais por porte de arma branca e tráfico de drogas. Ele é natural de Luziânia, em Goiás, mas morava em Taguatinga, no Distrito Federal.
Flávio Cruz Barbosa era dono da oficina OUD, especializada em restauração de carros antigos. Segundo familiares, ele era conhecido pelo trabalho no setor automotivo e também por sua atuação no mercado de cervejas artesanais em Brasília.
Antes de ser morto, o empresário havia acabado de retornar de uma viagem a trabalho para Alexânia, em Goiás, acompanhado do irmão, Leonardo Cruz. Os dois conversaram ao chegar à oficina, e Leonardo deixou o local poucos minutos antes do crime.
“Ele não sabia que era a última vez. Fico triste porque foram questões de minutos: eu saí e isso aconteceu”, afirmou o irmão da vítima.
Leonardo também descreveu Flávio como uma pessoa querida por familiares e amigos.
“Meu irmão era conhecido pelo trabalho com restauração de veículos antigos e também por sua atuação no mercado de cervejas artesanais em Brasília. Um homem notável na sociedade e muito amado pelos familiares e amigos”, declarou.
O caso segue sob investigação da 5ª Delegacia de Polícia. A Polícia Civil apura as circunstâncias do crime, a motivação apresentada pelo autor e os elementos que indiquem a premeditação do homicídio.
