|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Brasil – Depois de um período de forte alta, o preço dos ovos no Brasil começou a recuar em abril. A queda já era esperada após o fim da Quaresma, mas o que chama atenção neste ano é a demanda mais fraca do que o habitual, o que tem intensificado a redução nos preços em diversas regiões.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada indicam que o movimento ocorre em praticamente todo o país, embora com variações conforme a oferta local.
Por que o preço dos ovos caiu
Em março, os ovos registraram alta superior a 20%, impulsionada principalmente pelo aumento do consumo durante a Quaresma, período em que muitas pessoas substituem carne por outras proteínas.
Com o fim desse ciclo, a demanda naturalmente diminui. Neste ano, porém, a procura ficou abaixo do esperado em comparação com os últimos dois anos, o que aumentou a pressão para queda nos preços.
Na prática, isso significa que há mais produto disponível do que consumidores dispostos a comprar no mesmo ritmo.
Queda varia entre regiões do país
Apesar da tendência nacional de baixa, os preços não caíram de forma uniforme.
Na maioria das regiões acompanhadas, o recuo foi inferior a 1%. No entanto, algumas localidades registraram quedas mais expressivas:
- São Paulo (capital):
- Ovos brancos: queda de 8,8% (R$ 157,11 a caixa com 30 unidades)
- Ovos vermelhos: queda de 7,5% (R$ 174,28)
- Bastos (SP), um dos maiores polos produtores:
- Ovos brancos: -8,22% (R$ 149,20)
- Ovos vermelhos: -9,83% (R$ 168,43)
- Belo Horizonte (MG):
- Ovos brancos: -7% (R$ 157,43)
- Ovos vermelhos: -8,57% (R$ 177,34)
Já em Recife (PE), houve leve alta de 2,47% para ovos brancos, mostrando como fatores regionais influenciam diretamente os preços.
Oferta e produção influenciam o mercado
O comportamento dos preços está diretamente ligado ao equilíbrio entre oferta e demanda.
Segundo o Cepea, produtores e indústrias precisam ajustar o ritmo de produção para evitar excesso no mercado. Caso contrário, a tendência é de novas quedas ao longo dos próximos meses.
Esse cenário ganha ainda mais relevância diante do crescimento da produção nacional.
Produção recorde e consumo elevado
Em 2025, o Brasil atingiu um marco histórico na produção de ovos:
- 4,95 bilhões de dúzias produzidas
- Crescimento de 5,7% em relação a 2024
O consumo também segue alto, com média de 288 ovos por habitante ao ano, consolidando o alimento como uma das proteínas mais acessíveis no país.
O que esperar para os próximos meses
A tendência, segundo especialistas, é de manutenção da pressão sobre os preços no curto prazo.
Se a produção continuar crescendo acima da capacidade de consumo interno, o mercado pode enfrentar um período prolongado de valores mais baixos.
Por outro lado, fatores como exportações e retomada da demanda podem ajudar a equilibrar os preços ao longo do ano.
A queda no preço dos ovos no Brasil reflete um movimento típico após a Quaresma, mas com um diferencial importante em 2026: a demanda mais fraca intensificou o recuo.
Para o consumidor, o cenário pode significar alívio no bolso. Já para produtores, o desafio será encontrar o equilíbrio entre produção e consumo em um mercado cada vez mais sensível às variações de demanda.
