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A alta nos preços de combustíveis, trigo e fertilizantes ameaça elevar o custo do pão no Brasil

A guerra no Oriente Médio, especialmente entre o Irã, Estados Unidos e Israel, tem causado uma série de repercussões globais que vão muito além do conflito armado. No Brasil, o impacto já é sentido no bolso do consumidor, especialmente em um dos alimentos mais consumidos do país: o pão. A alta nos preços do petróleo, trigo e fertilizantes, todos afetados pela guerra, pode resultar em aumentos significativos no custo de produção e, consequentemente, no preço do pãozinho que o brasileiro tanto ama.

O papel do Estreito de Ormuz e a alta do petróleo

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é um ponto crucial para o escoamento de recursos energéticos, sendo responsável por cerca de 20% de todo o petróleo produzido mundialmente. Além disso, uma significativa parcela do gás natural liquefeito também passa por esse estreito. Através dessa passagem, navegam os principais exportadores de petróleo, como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Irã e Emirados Árabes Unidos. Quando a guerra se intensificou, o Irã bloqueou o trânsito de navios na região, afetando o fornecimento de petróleo e aumentando seus preços.

Com a alta no preço do petróleo, o custo do diesel também disparou. O diesel, essencial para o transporte de mercadorias e insumos em todo o mundo, tornou-se mais caro, o que, naturalmente, reflete no transporte de trigo, fertilizantes e outros insumos que compõem a cadeia produtiva do pão.

Desde o início do conflito, o preço do barril do petróleo brent superou os US$ 100, o que impacta diretamente o preço dos combustíveis em nível mundial. E como o Brasil é um grande importador de petróleo e seus derivados, essa elevação afeta o custo do transporte, não só de alimentos, mas também de insumos essenciais para a produção de itens como o pão.

Fertilizantes e o impacto no agronegócio

Outro aspecto importante que está sendo fortemente impactado pela guerra é o setor de fertilizantes. O Irã, além de bloquear o Estreito de Ormuz, também tem dificultado a saída de produtos essenciais como fertilizantes. Estima-se que cerca de 1 milhão de toneladas de insumos estejam retidas no Oriente Médio devido à situação no estreito. Isso tem afetado diretamente a oferta global desses insumos, que são fundamentais para o cultivo de grãos, incluindo o trigo, que é a base da farinha utilizada no pão.

O aumento no custo dos fertilizantes, aliado ao bloqueio das rotas de navegação, tem pressionado a produção agrícola não apenas no Brasil, mas em diversos outros países. No Brasil, por exemplo, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) já alerta para os riscos de alta no preço da farinha de trigo. “A combinação entre a alta do petróleo, o aumento do diesel, os fretes mais caros e a elevação das cotações do trigo no Brasil e no exterior pressiona diretamente os custos da indústria moageira”, afirmou a associação em um comunicado recente. Esse aumento nas cotações do trigo reflete diretamente no custo do pão e outros produtos derivados.

O trigo no mercado global

Em março, o mercado global de trigo teve uma alta de 5,24% no preço do cereal, que fechou cotado a US$ 6,07 por bushel (unidade de medida de volume). Com a escassez de trigo provocada pela guerra e pela elevação dos custos do transporte, a expectativa é de que esses preços continuem em alta, pressionando a cadeia de produção de alimentos no Brasil.

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo já apontou que o cenário é de forte risco para toda a cadeia do trigo, com impactos não apenas sobre o preço da farinha, mas também sobre os custos das embalagens, dos seguros internacionais e de outros insumos necessários para a produção do pão. Além disso, a elevação no custo de transporte também contribui para a alta geral dos preços, o que pode resultar em reajustes no valor do pão nas prateleiras de todo o Brasil.

O que está sendo feito para minimizar os impactos?

Apesar da alta nos preços e dos desafios impostos pela guerra no Oriente Médio, empresas brasileiras têm adotado uma série de medidas para tentar minimizar o impacto sobre o preço do pão no Brasil. Entre as ações adotadas, estão a otimização de estoques, a diversificação das origens de trigo e fornecedores de insumos, e a revisão das rotas logísticas. A Abitrigo também destaca o uso de instrumentos de gestão de risco para tentar reduzir os impactos da volatilidade dos preços internacionais.

Além disso, o governo brasileiro tem procurado alternativas para garantir que o abastecimento de fertilizantes e trigo seja mantido, incluindo negociações com outros fornecedores e busca por novas rotas logísticas.

O impacto no bolso do consumidor

Com todas essas variáveis em jogo — alta do petróleo, aumento dos custos de fertilizantes, dificuldades no transporte e alta no preço do trigo — o impacto no preço do pão no Brasil se torna cada vez mais provável. Embora as empresas busquem minimizar os efeitos, é possível que o aumento nos custos de produção seja repassado para o consumidor, o que pode resultar em um reajuste no valor do pãozinho.

O Brasil, como um dos maiores produtores e consumidores de trigo do mundo, sente o impacto direto dessa cadeia global de fornecimento e aumento de custos. O reflexo desse aumento pode ser visto no dia a dia dos brasileiros, especialmente aqueles que dependem de alimentos básicos como o pão para a alimentação diária.

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