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Restrição inédita no Domingo de Ramos gerou reação internacional e críticas por violação religiosa
O governo de Israel anunciou nesta segunda-feira (30) um acordo com lideranças católicas após impedir a realização da missa de Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. A decisão inédita provocou forte repercussão internacional.
O entendimento foi firmado entre autoridades israelenses e o cardeal Pierbattista Pizzaballa, responsável pelo Patriarcado Latino. O acordo trata da organização das próximas celebrações da Páscoa, uma das datas mais importantes do calendário cristão.
“Devido à complexa realidade de segurança da Operação Leão Rugidor, as cerimônias, incluindo a do Fogo Sagrado, serão realizadas em formato simbólico e limitado. Essa coordenação garante que a liberdade de culto seja mantida em conjunto com nosso dever primordial e compartilhado: a proteção da vida humana”, diz o anúncio.
Segundo o governo israelense, as restrições foram adotadas por motivos de segurança, diante da escalada do conflito na região. Autoridades alegam que há risco à população devido a ataques e destroços de mísseis que atingiram áreas da Cidade Velha.
A interrupção da missa marcou um episódio sem precedentes. Foi a primeira vez em séculos que a celebração do Domingo de Ramos foi impedida no local considerado um dos mais sagrados do cristianismo.
A ação das forças de segurança barrou a entrada de importantes lideranças religiosas. De acordo com o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa, os religiosos foram interceptados durante o trajeto e obrigados a retornar.
As instituições classificaram o episódio como um “precedente grave” e denunciaram desrespeito à liberdade religiosa, destacando a relevância simbólica de Jerusalém para milhões de fiéis em todo o mundo.
A repercussão internacional foi imediata. O Vaticano e governos europeus criticaram a medida, apontando violação ao direito de acesso a locais sagrados.
O Brasil também se manifestou. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a decisão representa uma afronta à liberdade religiosa e ao livre exercício de culto.
“Ao registrar a extrema gravidade de tais ações recentes, o Brasil recorda o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça, o qual concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita e que aquele país não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”
O episódio ocorre em meio à intensificação dos conflitos no Oriente Médio e evidencia os impactos diretos da guerra sobre práticas religiosas e civis na região.


