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A prisão preventiva de Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, ganhou novo capítulo após declarações do advogado Eder Fior, que afirmou que o jovem estaria preso não pelos fatos investigados, mas por sua condição social. Segundo a defesa, Pedro teria sido alvo de um julgamento antecipado por ser “branco, de classe média e piloto de carro esportivo”.

Em entrevista, Eder Fior afirmou que há investigados por crimes mais graves respondendo em liberdade e que, no caso de Pedro, a prisão teria sido usada como uma “resposta social”. Para o advogado, a medida é extrema e desproporcional. “Entendemos que a prisão é a medida mais grave que existe no processo penal e só deveria ser adotada em casos extremos. O que acontece aqui é um julgamento impulsionado pela opinião pública”, declarou.

Atualmente, Pedro Turra está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. A prisão preventiva foi decretada no dia 30 de janeiro de 2026, após a Polícia Civil apontar indícios de tentativa de interferência nas investigações. Durante o cumprimento do mandado, os policiais apreenderam um soco inglês, uma faca e o celular do investigado, onde foram encontradas mensagens que indicariam combinação de versões. Ele foi transferido para a Papuda no dia 2 de fevereiro.

Ainda segundo o advogado, Pedro poderia responder ao processo em liberdade, com medidas cautelares menos severas. “Ele poderia estar com tornozeleira eletrônica, em prisão domiciliar ou submetido a restrições de contato. Mas optaram pela prisão como forma de dar uma resposta à sociedade”, afirmou. A defesa também criticou o que chamou de “espetacularização do caso” e pediu imparcialidade da Justiça.

Estado gravíssimo

O caso que motivou a prisão ocorreu em 22 de janeiro de 2026, em Vicente Pires. Após uma discussão iniciada por causa de um chiclete, Pedro Turra agrediu violentamente um adolescente de 16 anos. Vídeos gravados por testemunhas mostram o momento em que o jovem recebe um golpe, bate a cabeça e cai desacordado.

A vítima foi levada ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde permanece internada em estado gravíssimo, em coma, sem previsão de alta. No mesmo dia, Pedro foi preso em flagrante. Em 24 de janeiro, após audiência de custódia, ele foi solto mediante pagamento de fiança, decisão que gerou forte reação popular.

Histórico compromete

Com a repercussão do caso, vieram à tona outros registros envolvendo Pedro Turra. Um deles envolve a agressão a um homem de 50 anos, após uma discussão de trânsito. Segundo o relato, a vítima foi seguida, impedida de entrar em casa e agredida fisicamente. O episódio ocorreu antes do caso do chiclete. Pedro foi levado à delegacia e liberado.

Outro inquérito apura a denúncia de uma adolescente de 17 anos, em um evento no Jockey Club. A jovem afirma ter sido coagida a ingerir bebida alcoólica sob violência. Um vídeo anexado à investigação mostra o uso de um dispositivo de choque para obrigá-la a beber vodka. A data do episódio não foi divulgada oficialmente.

Há ainda um boletim de ocorrência registrado em 28 de junho de 2025, que descreve uma agressão em uma praça pública de Águas Claras. A vítima relatou socos e um golpe de “mata-leão”, enquanto outras pessoas assistiam à cena.

Pena antecipada

Para a Justiça, o conjunto de episódios e os indícios de interferência na investigação justificaram a prisão preventiva. Para a defesa, trata-se de uma “pena antecipada”, sustentada pelo clamor popular e pela exposição do caso.

Enquanto os pedidos de revogação da prisão e habeas corpus são analisados, o adolescente agredido segue internado na UTI, e o caso continua sob investigação, com possibilidade de mudança na tipificação penal conforme a evolução do quadro clínico.

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