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Casos recentes no Sul do país e prisão por agressão a cão na cidade revelam cenário preocupante de violência
Uma sequência de casos graves de maus-tratos a animais registrados nas últimas semanas em diferentes regiões do país tem provocado comoção nacional e levantado um alerta sobre a banalização da violência. Episódios ocorridos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina ganharam repercussão nas redes sociais e na imprensa, reacendendo o debate sobre empatia, responsabilidade social e os limites da crueldade — cenário que agora também se reflete em Juiz de Fora.
Entre os casos que mobilizaram o país está a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis (SC). O animal, conhecido por ser dócil e cuidado por moradores da região, foi espancado no início de janeiro e encontrado dias depois em uma área de mata, com lesões graves na cabeça, sangramentos e sinais neurológicos severos. Devido à gravidade do quadro, a equipe veterinária optou pela eutanásia para evitar mais sofrimento. Quatro adolescentes são suspeitos de envolvimento no crime, que gerou protestos, homenagens, manifestações de artistas e autoridades e discussões sobre punições mais rigorosas para maus-tratos.
Outro episódio chocante ocorreu em Tubarão (SC), onde um cachorro foi encontrado em estado crítico após ter os olhos arrancados, apresentar sinais de tortura e ser jogado de uma ponte. O animal foi resgatado por moradores e voluntários, recebeu atendimento veterinário emergencial e permanece em estado grave, dependendo de apoio para continuidade do tratamento.
Especialistas apontam que o aumento no número de denúncias reflete, ao mesmo tempo, maior conscientização da sociedade e um contexto de intolerância, tensão emocional e normalização da violência. Para a psicóloga clínica Candice Galvão, a agressão a animais está associada a fatores como dificuldade de empatia, impulsividade, baixa regulação emocional e histórico de violência. Segundo ela, esses atos não devem ser tratados como isolados, pois podem funcionar como sinal de alerta para outras formas de agressão.
Esse cenário nacional ganhou um capítulo local em Juiz de Fora nesta semana. Um homem de 54 anos foi preso em flagrante pela Polícia Militar de Meio Ambiente após tentar matar o próprio cachorro a pauladas no bairro Linhares. O animal foi encontrado escondido em sacos de lixo, coberto por papelões e entulhos, ainda com sinais de vida. O autor, que apresentava sinais de embriaguez, confessou a agressão e alegou que o cão estaria doente.
O cachorro foi encaminhado para uma clínica veterinária, onde um laudo preliminar apontou traumatismo craniano, sangramento nasal, desidratação severa, magreza extrema, infestação de parasitas e ferimentos graves. O homem foi conduzido à delegacia por crime de maus-tratos, conforme a Lei 9.605/98, e recebeu multa administrativa de R$ 2.894,95.
Para especialistas, a repetição de casos tão extremos evidencia falhas profundas na formação emocional e na forma como a sociedade lida com frustrações e conflitos. A defesa dos animais, nesse contexto, passa não apenas pela punição legal, mas também por educação emocional, acompanhamento psicológico e fortalecimento da cultura de respeito à vida.
