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Olá queridos leitores,
Você já sentiu que seu parceiro ou parceira se tornou sua “pessoa favorita no mundo”, o melhor amigo, o sócio perfeito na administração da casa… mas que o fogo debaixo dos lençóis parece ter sido substituído por um edredom bem confortável e um sono às 22h?
Se a resposta for sim, bem-vindo ao clube. Você não está sozinho e, acredite, seu relacionamento não está necessariamente “morrendo”. Ele está apenas enfrentando o paradoxo da intimidade.
O conflito entre Amor e Desejo
A psicoterapeuta Belga Esther Perel, uma das maiores autoridades no assunto, explica que o amor e o desejo bebem de fontes diferentes. O amor busca proximidade, segurança, previsibilidade e proteção. O desejo, por outro lado, precisa de mistério, novidade, risco e uma certa “distância” para que possamos querer alcançar o outro.
O problema é que passamos anos tentando transformar nosso parceiro no nosso porto seguro. Quando finalmente conseguimos, olhamos para o lado e percebemos que o mistério desapareceu. O “porto seguro” é ótimo para morar, mas nem sempre é o lugar mais excitante para se ter uma aventura.
O mito da “espontaneidade”
Um dos maiores erros dos casais é esperar que o desejo caia do céu como nos primeiros meses de namoro. Sinto informar: em relacionamentos longos, o desejo raramente é espontâneo; ele DEVE ser cultivado.
Se você marca reuniões de trabalho e horário para ir à academia, por que acha que a sua vida sexual deve ser deixada ao acaso? Esperar “ter vontade” é a receita para o deserto sexual, pois a rotina consome a libido antes mesmo de você chegar em casa.
E para reacender a chama, ai vai algumas táticas que podem te ajudar:
- Crie distância para criar desejo: É preciso que cada um tenha sua própria vida, hobbies e mistérios. Quando você vê seu parceiro brilhando em algo que não envolve você (seja no trabalho, em um esporte ou em uma conversa com amigos), você o enxerga com “olhos de estranho” – e é aí que o interesse renasce.
A ideia não é que sejam super independentes, mas que tenham seus momentos longe um do outro.
- Mude o cenário: O cérebro adora novidades. Às vezes, o simples fato de mudar o ambiente ou quebrar a rotina rígida – como um jantar no meio da semana sem falar de boletos ou filhos, pode sinalizar para o corpo que aquele não é apenas o momento de “descanso”, mas sim de “conexão”.
- Priorize o erotismo, não apenas o sexo: O erotismo começa muito antes do toque. Começa no olhar, na mensagem durante o dia, na admiração mútua. É sobre manter a energia de conquista viva, mesmo que vocês já saibam exatamente qual marca de sabão em pó o outro prefere.
- Apostem na mudança de horário: Muitas vezes o cansaço do dia pode te deixar esgotado, e isso não significa que você não sinta desejo, mas prefere “descansar” a namorar. Então aposte em horários alternativos como de manhã – que já vai te fazer começar o dia muito bem, ou até mesmo podem usar o horário do almoço para ter entrosamento entre vocês e deixar aquele sabor de quero mais, até a noite chegar.
- Trabalhe sua mente para o desejo: Muitas pessoas têm preconceito de conteúdos picantes ou sensuais. Mas se o seu cérebro não pensar “nisso” você vai até esquecer que precisa namorar, por isso, treine sua mente para o desejo, ouvir um podcast que fala de sexualidade, ler um livro de romance mais sensual, assistir um filme ou uma série mais picante vai te ajudar a reativar essa vontade. Mas lembre-se, isso não tem nada a ver com conteúdo adulto.
No fim das contas, precisamos encarar uma verdade desconfortável: o prazer não é um bônus opcional em um relacionamento; ele é o combustível que diferencia uma parceria amorosa de uma sociedade de negócios ou de uma amizade profunda.
Muitos casais acreditam que o esfriamento é um processo natural e inevitável da idade ou do tempo. Mas a verdade é que o desejo não morre de causas naturais; ele morre de negligência. Nós paramos de nos esforçar porque “já conquistamos”, e queremos conforto, mas é nesse conforto que a conexão acaba se perdendo.
Ter uma vida sexual e afetiva vibrante após anos de convivência dá trabalho, eu sei. A vontade de deitar e só relaxar é tentadora, mas assim como tudo na vida, o relacionamento exige intenção, exige que você tire a poeira da curiosidade e, acima de tudo, exige que você pare de esperar o “momento perfeito” para começar a agir.
Pense que o prazer é um músculo: se você não o exercita, ele atrofia. Se você quer que a chama continue acesa, pare de apenas observar as cinzas e comece a alimentar o fogo. Afinal, a intimidade não é algo que você encontra, é algo que você constrói todos os dias, inclusive naqueles em que a rotina parece querer ganhar a luta.
A segurança é o que nos permite dormir tranquilos à noite, mas é a imaginação que nos mantém acordados. O desafio não é escolher entre uma ou outra, mas aprender a transitar entre esses dois mundos.
