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A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou a dissolução da Câmara Baixa do Parlamento e a convocação de eleições nacionais antecipadas para o dia 8 de fevereiro. A votação definirá todas as 465 cadeiras da Casa, que tem papel central na escolha do primeiro-ministro e na aprovação das principais leis do país.

A dissolução formal do Parlamento está prevista para a sexta-feira (23). Em coletiva de imprensa, Takaichi afirmou que a antecipação do pleito permitirá que a população avalie diretamente a condução do governo e as propostas apresentadas para os próximos anos. Segundo a premiê, a eleição coloca em julgamento sua permanência no cargo e a continuidade da atual agenda governamental.

Surpresa

A convocação das eleições surpreendeu a população japonesa, sobretudo porque Takaichi assumiu o cargo há poucos meses, em outubro, e o mandato da Câmara Baixa poderia seguir por vários anos. A imprensa japonesa destacou que, embora houvesse discussões internas e especulações políticas sobre a possibilidade de eleições antecipadas, não existia anúncio oficial nem calendário definido, o que fez com que a dissolução do Parlamento não fosse amplamente esperada pela sociedade.

Veículos de comunicação locais ressaltaram que a decisão altera de forma imediata o calendário político do país e transforma a eleição em um teste nacional sobre a sustentação parlamentar do governo recém-empossado.

Suspensão de imposto

Entre as principais medidas defendidas por Takaichi está a suspensão, por dois anos, do imposto de 8% sobre o consumo de alimentos. De acordo com o governo, a proposta busca reduzir o impacto do aumento do custo de vida sobre as famílias japonesas. A primeira-ministra também anunciou planos de ampliação dos gastos públicos, com foco na geração de empregos e no estímulo ao consumo interno.

Estimativas oficiais indicam que a suspensão do imposto pode reduzir a arrecadação do governo em cerca de 5 trilhões de ienes por ano. Após o anúncio, o rendimento dos títulos do governo japonês de 10 anos atingiu o maior patamar em 27 anos, movimento associado pelo mercado financeiro às perspectivas de queda de receita e aumento das despesas públicas.

Custo de vida

As eleições ocorrem em um momento em que o custo de vida é a principal preocupação da população japonesa. Pesquisa divulgada pela emissora pública NHK apontou que 45% dos entrevistados citaram a alta dos preços como o maior problema do país, seguida por temas como diplomacia e segurança nacional.

A cobertura da mídia japonesa também destaca desafios estruturais enfrentados pelo Japão, como crescimento econômico moderado, pressão inflacionária sobre itens essenciais, envelhecimento acelerado da população e elevado nível da dívida pública, fatores que influenciam diretamente o debate político e eleitoral.

Ampliar a base

O governo é liderado pelo Partido Liberal Democrático (PLD), que governa o Japão há décadas, à frente de uma coalizão que mantém maioria na Câmara Baixa. Jornais japoneses apontam que essa maioria é considerada estreita, o que dificulta a tramitação de projetos e do orçamento.

Com a eleição antecipada, o PLD buscará renovar e ampliar sua base parlamentar. A oposição, por sua vez, vê o pleito como uma oportunidade de aumentar sua representação no Legislativo e de questionar as propostas fiscais e econômicas do governo, segundo análises publicadas pela imprensa local.

A votação de fevereiro será a primeira eleição nacional desde a posse de Sanae Takaichi como primeira-ministra. O resultado definirá a composição do novo Parlamento e indicará o grau de apoio popular e político ao atual governo, além de estabelecer as condições de governabilidade para os próximos anos.

A cobertura da mídia japonesa trata o pleito como um momento decisivo para a estabilidade política do país e para a implementação das políticas anunciadas pelo governo recém-empossado.

Destaques ISN

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