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A assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul em Assunção, Paraguai, ocorrerá hoje, 17 de janeiro de 2026, com início ao meio-dia (horário de Brasília),
A assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul em Assunção, Paraguai, ocorrerá hoje, 17 de janeiro de 2026, com início ao meio-dia (horário de Brasília),

Hoje, em Assunção, Paraguai, será assinada uma das maiores e mais aguardadas parcerias comerciais entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações. O Acordo de Livre Comércio visa transformar a economia de ambos os blocos, ampliando as trocas comerciais e abrindo novos mercados para exportadores do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A assinatura é um marco na história das relações comerciais entre o bloco europeu e a América do Sul, representando um passo decisivo para consolidar o Mercosul como um player global.

Lula não vai

Curiosamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estará presente na cerimônia de assinatura, que ocorre hoje. Embora tenha sido uma das figuras chave nas negociações nos últimos anos, Lula optou por permanecer em Brasília, sem compromissos oficiais relacionados ao evento. Essa decisão pode ser interpretada como uma gestão política estratégica, dado que o governo já se comprometeu em aprofundar as relações com a Europa e transformar o Brasil em um hub de exportações para o mercado europeu. A ausência de Lula, porém, não diminui a importância do acordo para o Brasil, que deverá colher os frutos dessa assinatura, enquanto o presidente mantém o foco em questões internas e em outros compromissos de governo.

700 milhões de consumidores

Para o Brasil, o acordo traz uma série de benefícios econômicos e comerciais. Um dos principais pontos positivos é o acesso ampliado ao mercado europeu. As exportações brasileiras de commodities, como carne bovina, soja, açúcar, suco de laranja e etanol, terão redução de tarifas, abrindo portas para novos contratos comerciais e negócios com os 700 milhões de consumidores da União Europeia. O acordo vai impactar positivamente setores como agroindústria, indústria automobilística e tecnologia. Além disso, as exportações brasileiras vão se beneficiar com a eliminação de mais de 90% das tarifas ao longo de um período de transição, dando espaço para o Brasil ampliar sua presença global no comércio internacional.

Esse acordo histórico consolida o Mercosul como um bloco comercial mais forte e competitivo, criando uma zona de livre comércio que movimenta mais de 22 trilhões de dólares. Para o Brasil, a ampliação de mercados e a redução de custos logísticos e tarifários significam maiores possibilidades de crescimento e novos investimentos, além de mais empregos em setores como agroindústria, automóveis e tecnologia. A possibilidade de atração de investimentos da Europa também coloca o Brasil em uma posição mais favorável para parcerias estratégicas em vários outros campos.

Protestos na Europa

No entanto, o acordo não passou sem polêmicas. Na Europa, manifestos e protestos contra o tratado ganharam força, especialmente entre agricultores e movimentos ambientais. Em países como França, Irlanda e Alemanha, agricultores e grupos de defesa ambiental se manifestaram contra o acordo, temendo que a entrada de produtos mais baratos oriundos do Mercosul, como carnes e soja, possa prejudicar os mercados locais. Muitos protestaram com o argumento de que os produtos brasileiros não cumprem os mesmos padrões ambientais e sanitários exigidos pela União Europeia, o que geraria concorrência desleal com a produção local.

Além disso, grupos ambientais temem que o aumento nas exportações de commodities do Brasil possa incentivar a desflorestação na Amazônia e outras regiões sensíveis, o que geraria impactos negativos no clima global. A resistência a esse acordo é, portanto, uma disputa entre interesses comerciais e preocupações ambientais, que ainda estão sendo discutidas em vários países da União Europeia.

A França foi um dos principais focos de protesto, com agricultores bloqueando ruas e até se manifestando contra as condições do acordo. Em uma tentativa de pacificar os ânimos, o acordo prevê cláusulas que exigem a observância de normas ambientais, mas isso não foi suficiente para conter a oposição de grupos que ainda questionam a eficácia dessas medidas.

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