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Autismo: A evolução humana e a neurodivergência, segundo estudo
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O transtorno do espectro autista (TEA) está passando por uma reavaliação significativa dentro das áreas de Psicologia Evolucionista e Genética de Populações. O que antes era encarado principalmente como uma condição que limita a capacidade de socialização, agora é analisado sob uma nova ótica: o autismo pode ser uma variação estratégica da evolução humana, mantida, e talvez até ampliada, pela seleção natural.

Esse novo entendimento sugere que o autismo pode ser uma característica benéfica à espécie, possivelmente com vantagens evolutivas relacionadas ao processamento cognitivo e à identificação de padrões, que poderiam ter sido essenciais no passado. A ideia de que o autismo pode ser um traço evolutivo benéfico vem sendo defendida por novos estudos, da Universidade de Stanford, publicado na Molecular Biology and Evolution.

O estudo focou em um tipo específico de neurônio excitatório no neocórtex, essencial para funções cognitivas avançadas, e descobriu que esses neurônios evoluíram de maneira mais rápida na linhagem humana do que em outros primatas. Esse desenvolvimento acelerado coincide com a queda na expressão de genes associados ao risco de diagnóstico de TEA, sugerindo que a evolução das capacidades cognitivas humanas teve como “preço” o aumento da prevalência de características autísticas.

Além disso, a crescente prevalência do autismo em diversos países, como Estados Unidos, Reino Unido e Japão, está sendo associada a fatores genéticos, além das mudanças nos critérios diagnósticos. A teoria do acasalamento assortativo, proposta pelo psicólogo Simon Baron-Cohen, sugere que a sociedade moderna, ao agrupar pessoas com traços de personalidade “sistematizadores” em ambientes tecnológicos e acadêmicos, facilita a união reprodutiva entre indivíduos com perfis genéticos semelhantes, aumentando a probabilidade de filhos com características autísticas.

Embora ainda exista uma grande diversidade dentro do espectro do TEA, é interessante refletir sobre o futuro da sociedade humana diante dessa evolução. Se o autismo, com suas habilidades excepcionais, for de fato favorecido pela seleção natural, isso poderia transformar nossa compreensão do que é considerado “normal” e “atípico” em termos cognitivos.

Entretanto, é importante lembrar que, apesar de suas habilidades excepcionais, indivíduos neurodivergentes enfrentam desafios sociais significativos. O maior argumento da comunidade autista é o combate ao capacitismo — a ideia de que o valor humano não depende de produtividade ou de se adaptar a modelos normativos. A verdadeira evolução da humanidade não reside em excluir, mas em ser inclusiva, garantindo que todas as mentes, independentemente de como funcionam, sejam respeitadas e incluídas na sociedade.

A evolução humana pode estar, portanto, indo além do conceito de um futuro de “gênios”, e sim de um futuro de diversidade cognitiva, onde a inclusão de todos, independentemente de suas características, será a chave para o avanço da sociedade.

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