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Influenciadores digitais relataram ter recebido propostas para publicar críticas ao Banco Central após a liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Um criador de conteúdo de São Paulo revelou ter recebido R$ 7.840,00 por uma única postagem, feita em 19 de dezembro, e afirma que recusou continuar com o contrato por considerar o conteúdo “antiético”. Ele devolveu o valor dois dias depois e não quis prosseguir com a campanha.
A proposta foi feita por Júnior Favoreto, da agência GroupBR, e o pagamento foi feito por Thiago Miranda, dono da agência Miranda Comunicação (Agência MiThi). A ação teria ocorrido no mesmo período em que a Febraban identificou um aumento expressivo de publicações nas redes sociais atacando o Banco Central, o que motivou a Polícia Federal a abrir um inquérito para apurar possível ação coordenada.
O caso ganhou repercussão após o vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), publicar um vídeo em que denuncia a tentativa de contratação. Com mais de 1,7 milhão de seguidores, ele afirma ter assinado um termo de confidencialidade com multa de R$ 800 mil, mas recusou a proposta ao perceber que seria para defender o Banco Master contra o Banco Central.
Segundo ele, o contato foi feito no dia 20 de dezembro por uma agência que mencionava uma “disputa contra o sistema” e buscava perfis politicamente posicionados. O vereador alega que, no fim de dezembro, houve uma “enxurrada de vídeos” com críticas ao BC, inclusive de influenciadores de direita que teriam copiado seu estilo de conteúdo.
A comentarista política Juliana Moreira Leite, da Revista Oeste, também relatou ter sido abordada com proposta semelhante, que recusou. Em suas redes, ela afirmou manter uma posição crítica ao banco há anos e repudiou influenciadores que aceitaram o contrato, chamando-os de “paquitos do Vorcaro”.
Reportagens apontam que os contratos oferecidos a influenciadores variavam de acordo com o alcance de cada perfil e poderiam chegar a até R$ 2 milhões. O caso envolve suspeitas de manipulação da opinião pública nas redes sociais para influenciar o debate sobre a liquidação da instituição financeira.
Apesar de rumores sobre uma possível reversão da decisão do Banco Central, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, negou que o órgão tenha poder para anular a liquidação do banco. As investigações seguem em andamento.
