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O Congresso do Peru aprovou, por unanimidade, o afastamento da presidenta Dina Boluarte na madrugada desta sexta-feira (10).
Créditos: Reuters/Yves Herman
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O Congresso do Peru aprovou, por unanimidade, o afastamento da presidenta Dina Boluarte na madrugada desta sexta-feira (10). Acusada de “incapacidade moral permanente”, Boluarte deixa o cargo em meio a denúncias de corrupção e forte crise de segurança pública. O atual presidente do Congresso, José Enrique Jerí Oré, assumiu o governo interinamente em cerimônia realizada logo após a votação.

A destituição foi aprovada por 118 votos favoráveis entre os 130 parlamentares, após a ausência de Boluarte na sessão destinada à sua defesa. O processo foi impulsionado por quatro moções de vacância apresentadas por partidos de direita e centro, em meio a críticas sobre a escalada da violência no país e o escândalo conhecido como “Rolexgate” — envolvendo relógios de luxo não declarados usados pela ex-presidenta.

Jerí, de 38 anos, do partido conservador Somos Peru, será o sétimo presidente do país desde 2016. Em seu primeiro discurso, prometeu liderar um governo de reconciliação e declarou “guerra ao crime”, em referência às quadrilhas que atuam com extorsões e atentados violentos. As eleições gerais estão previstas para abril de 2026, com posse marcada para 28 de julho do mesmo ano.

Multidões se reuniram em frente ao Congresso, em Lima, em clima de celebração. Havia ainda rumores de que Boluarte pudesse buscar asilo, especialmente na embaixada do Equador. Ela, no entanto, fez um pronunciamento após a votação, dizendo que governou pensando no povo e criticando a legalidade do processo: “Não vamos validar um procedimento inconstitucional”, afirmou por meio de seu advogado.

Boluarte, que assumiu a presidência em dezembro de 2022 após a queda de Pedro Castillo, enfrentava altos índices de rejeição, que chegaram a 93% segundo pesquisas recentes. Seu governo foi marcado por protestos, denúncias de autoritarismo e aumento da criminalidade. Em julho, um reajuste salarial autoconcedido agravou ainda mais sua crise de imagem.

A destituição da presidenta ocorre em um contexto de instabilidade política crônica no Peru. Desde 2018, o país já teve seis presidentes, sendo três deles presos por acusações de corrupção ou abuso de poder. A atual transição aumenta a pressão por reformas institucionais e por respostas efetivas à insegurança que atinge milhares de peruanos.

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