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Novaya Gazeta
Reprodução internet
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Mundo – O jornal independente russo Novaya Gazeta anunciou nesta sexta-feira (30) que encerrará suas atividades após mais de 30 anos de funcionamento. A publicação atribui a decisão a uma série de pressões das autoridades do governo de Vladimir Putin, incluindo ações contra jornalistas e restrições que comprometeram sua estrutura financeira e operacional.

Em comunicado, o periódico informou que pretende desligar seus servidores e encerrar definitivamente as atividades em 9 de novembro. Segundo a equipe editorial, a pressão das autoridades e dos serviços de segurança russos tornou impossível manter o funcionamento do jornal.

A publicação também afirmou ter perdido sua sede e os recursos financeiros que recebia por meio de uma plataforma de doações de leitores.

Jornal enfrentava pressão desde o início da guerra na Ucrânia

Fundado há mais de três décadas, o Novaya Gazeta ficou conhecido pela cobertura crítica ao governo russo e por reportagens investigativas. O veículo enfrentou dificuldades crescentes depois que a Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Desde então, autoridades russas ampliaram as restrições à imprensa independente e estabeleceram regras que preveem penas de prisão para quem divulgar informações consideradas falsas pelas autoridades ou desacreditar as Forças Armadas do país.

O jornal afirmou que as medidas contra seus profissionais, somadas à perda de recursos e à impossibilidade de manter sua estrutura, levaram ao encerramento das atividades.

Até a publicação da notícia, o governo russo não havia se manifestado sobre o anúncio.

Jornal teve seis profissionais assassinados

A trajetória do Novaya Gazeta também foi marcada pela violência contra jornalistas. Seis profissionais ligados ao veículo foram assassinados em diferentes circunstâncias.

Entre eles estava a jornalista investigativa Anna Politkovskaya, conhecida por reportagens sobre violações de direitos humanos e a atuação das forças russas na Chechênia. Ela foi morta em 2006, em Moscou.

O editor-chefe e cofundador do jornal, Dmitry Muratov, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2021. A premiação reconheceu seus esforços para defender a liberdade de expressão e a imprensa independente.

Kremlin defende restrições à imprensa

O Kremlin já afirmou anteriormente que algum nível de censura seria necessário diante do que descreve como um confronto existencial entre a Rússia e o Ocidente relacionado à guerra na Ucrânia.

O governo russo também acusa serviços de inteligência estrangeiros de tentar estimular o descontentamento dentro do país.

O encerramento do Novaya Gazeta representa mais um episódio de pressão sobre veículos independentes na Rússia. A publicação, por sua vez, afirma que sua equipe resistiu enquanto teve condições, mas foi obrigada a interromper o trabalho.

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