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Mundo – Um satélite espião dos Estados Unidos lançado durante a Guerra Fria se fragmentou enquanto estava em órbita da Terra, gerando novos detritos espaciais. O incidente envolvendo o USA 32 foi confirmado pela Força Espacial dos Estados Unidos e ocorreu em 13 de setembro de 2026.
A causa da fragmentação ainda não foi determinada. Os destroços passaram a ser monitorados para identificar possíveis aproximações com outros objetos em órbita e avaliar os riscos provocados pela dispersão dos fragmentos.
O satélite estava em uma altitude entre 773 e 780 quilômetros acima da superfície terrestre, região na qual objetos podem permanecer em órbita durante décadas antes de eventualmente reentrarem na atmosfera.
Satélite fazia parte de programa secreto
O USA 32 foi lançado em 5 de setembro de 1988 e era operado pelo National Reconnaissance Office (NRO), órgão responsável por atividades de inteligência espacial dos Estados Unidos.
O equipamento fazia parte de uma série de satélites desenvolvidos para inteligência de sinais durante a Guerra Fria. Sua função incluía a interceptação de sinais de radar e rádio utilizados pelas forças soviéticas.
O satélite também ficou conhecido pelo codinome Farrah III, uma referência à atriz americana Farrah Fawcett.
A missão permaneceu em segredo por décadas e só foi desclassificada pelo governo dos Estados Unidos no início de 2025.
Documentos liberados posteriormente indicaram que o USA 32 tinha uma vida útil projetada de aproximadamente quatro anos. Mesmo depois do encerramento de sua missão, porém, o equipamento permaneceu inativo em órbita por mais de três décadas.
O que pode ter causado a fragmentação?
Ainda não há uma explicação oficial para o rompimento do satélite.
Uma das hipóteses levantadas por especialistas é que componentes do equipamento tenham se deteriorado depois de décadas expostos às condições extremas do ambiente espacial.
Também existe a possibilidade de que combustível residual tenha provocado uma ruptura em algum tanque pressurizado. Baterias antigas são outra hipótese considerada, já que equipamentos abandonados podem sofrer alterações estruturais ao longo de períodos prolongados em órbita.
Outra possibilidade seria uma colisão com um pequeno meteoroide ou com algum fragmento de lixo espacial.
Até o momento, não há indicação de que o USA 32 tenha sido deliberadamente destruído ou atingido por uma arma antissatélite.
Fragmentos aumentam preocupação com lixo espacial
A fragmentação de um objeto antigo em uma região de alta altitude aumenta a quantidade de material circulando ao redor da Terra.
Segundo dados citados pela CNN, mais de 2 mil fragmentos de detritos ou partes de foguetes já eram rastreados em uma faixa de aproximadamente 50 quilômetros acima ou abaixo da altitude média em que o USA 32 estava.
O problema é que os fragmentos podem continuar em órbita por muitos anos. Mesmo objetos relativamente pequenos podem representar risco para satélites em funcionamento caso ocorram colisões.
Por isso, os fragmentos produzidos pela ruptura do USA 32 estão sendo acompanhados por sistemas de monitoramento espacial.
Fragmentação ocorre em meio à disputa espacial
O episódio acontece em um período de aumento das preocupações militares relacionadas ao espaço.
Em setembro, o secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Troy Meink, confirmou publicamente que o país havia colocado armas em órbita. Ele não divulgou quais equipamentos foram enviados nem quando isso teria ocorrido.
A declaração ocorreu em meio ao aumento da competição tecnológica e militar entre Estados Unidos, Rússia e China.
A Força Espacial dos Estados Unidos afirma que China e Rússia desenvolvem capacidades espaciais e contraespaciais relacionadas às suas estratégias militares.
Autoridades americanas também têm alertado sobre o desenvolvimento de tecnologias capazes de interferir ou atacar sistemas espaciais. Os governos russo e chinês, por sua vez, possuem seus próprios programas espaciais militares e de defesa.
A fragmentação do USA 32, no entanto, não foi relacionada oficialmente a essa disputa. Até o momento, as autoridades americanas não apontaram evidências de que o satélite tenha sido destruído por uma ação deliberada.

