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nova espécie de gato
Reprodução internet
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Mundo – Uma nova espécie de gato selvagem foi identificada nas florestas montanhosas dos Yungas, na Bolívia. Batizado cientificamente de Leopardus tilcayo, o pequeno felino é a primeira nova espécie de gato vivo formalmente descrita pela ciência em mais de um século.

A descoberta foi apresentada em estudo publicado na quinta-feira (17) na revista científica Current Biology. A pesquisa mostrou, por meio de análises genéticas, que os chamados gatos-tigre, grupo ao qual o animal pertence, não formam uma única espécie como se considerava anteriormente. O conjunto reúne, na verdade, cinco linhagens geneticamente distintas.

Como os cientistas descobriram o novo felino

O interesse pelo animal surgiu porque suas características físicas não correspondiam completamente às descrições conhecidas dos gatos-tigre. A pelagem do Leopardus tilcayo é marrom-clara, com rosetas escuras e irregulares pelo corpo.

O felino mede aproximadamente 46 centímetros de comprimento e pesa cerca de 1,4 quilo, sendo menor que um gato doméstico médio. A espécie recebeu o nome “tilcayo”, termo usado pelas comunidades locais para se referir ao animal.

A pesquisa contou com a participação de cientistas de diferentes países e foi liderada pela bióloga e exploradora da National Geographic Paola Nogales-Ascarrunz, em parceria com pesquisadores como Jonas Lescroart, da Universidade de Antuérpia, na Bélgica, e Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Para entender a origem do animal, a equipe analisou o DNA de 38 felinos de diferentes regiões da América do Sul, incluindo oito exemplares preservados em museus.

Os resultados indicaram que a linhagem do Leopardus tilcayo se separou das demais linhagens de gatos-tigre há aproximadamente 1,4 milhão de anos.

Um gato que passou despercebido pela ciência

O caso mostra como algumas espécies podem permanecer desconhecidas mesmo em grupos de animais já estudados há décadas.

Os gatos-tigre são considerados espécies crípticas, termo usado para animais que apresentam diferenças genéticas importantes, mas são muito semelhantes fisicamente. Por isso, a identificação pode exigir análises de DNA além da observação da aparência.

Um dos animais estudados é um macho de cerca de dez anos que atualmente vive no Senda Verde Wildlife Sanctuary, nos Yungas. Ele havia sido criado por uma família da região depois de ser encontrado ainda jovem e inicialmente foi confundido com um gato doméstico.

A equipe também utilizou registros de câmeras instaladas na floresta para ampliar o conhecimento sobre a espécie.

Cientistas ainda sabem pouco sobre o tilcayo

Apesar da confirmação da nova espécie, muitas informações sobre o Leopardus tilcayo continuam desconhecidas.

Os pesquisadores encontraram restos de pequenos roedores em amostras de fezes, indicando que esses animais podem fazer parte da alimentação do felino. Registros obtidos por câmeras também sugerem que ele tenha atividade predominantemente noturna.

Ainda não há estimativas confiáveis sobre o tamanho da população, além de existirem poucas informações sobre reprodução, comportamento e distribuição geográfica da espécie. Os dados disponíveis até agora incluem apenas dois indivíduos vivos examinados diretamente pelos pesquisadores e um número limitado de registros feitos por câmeras.

Estudo também identifica nova subespécie no Peru

A mesma pesquisa identificou uma nova subespécie de gato-tigre nas florestas dos Yungas peruanos.

O animal recebeu o nome científico Leopardus tigrinus antisuyo. O termo “antisuyo” faz referência a uma região do antigo Império Inca que abrangia parte da área onde a subespécie é encontrada atualmente.

Com a nova classificação, os pesquisadores defendem que a diversidade dos gatos-tigre na América do Sul precisa ser analisada de forma mais detalhada. O estudo transforma um grupo que anteriormente era tratado de maneira mais ampla em um conjunto de cinco espécies geneticamente distintas.

Descoberta aumenta preocupação com conservação

A identificação do Leopardus tilcayo também traz novas perguntas sobre a conservação do animal.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) atualmente classifica os gatos-tigre em duas espécies consideradas vulneráveis e com populações em declínio. Os pesquisadores já compartilharam os novos resultados com a organização, que deverá avaliar separadamente as cinco linhagens identificadas no estudo.

A situação dos Yungas aumenta a preocupação. As florestas montanhosas onde o felino vive sofrem pressão causada pelo desmatamento, expansão agrícola, incêndios provocados pela ação humana e mineração.

Uma avaliação individual das diferentes espécies poderá ajudar a identificar com maior precisão quais populações estão sob maior risco e quais medidas de proteção são necessárias.

A descoberta também reforça uma questão ainda presente na pesquisa sobre biodiversidade: mesmo entre grupos de mamíferos conhecidos pela ciência, novas espécies podem permanecer escondidas por diferenças que não são perceptíveis apenas pela aparência.

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