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furto de cabos de cobre em MG
Reprodução internet
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Juiz de Fora – O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou à Justiça 26 pessoas investigadas por participação em um esquema de furto e comercialização ilegal de cabos de cobre. Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 150 milhões e atuou durante cinco anos em diferentes cidades da Zona da Mata mineira.

A apuração foi conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça de Visconde do Rio Branco após a Operação Cyprium, realizada pela Polícia Civil. De acordo com o MPMG, a organização teria cometido mais de 1.400 furtos entre 2020 e 2025.

Os cabos eram retirados principalmente de redes de telefonia, internet e energia elétrica. Parte do material, conforme a investigação, era comercializada para empresas de outros estados.

Organização tinha quatro núcleos

Segundo as denúncias apresentadas pelo MPMG, a estrutura do grupo era dividida em quatro núcleos, cada um com funções específicas dentro do esquema.

Um deles era responsável pela execução dos furtos. Outro cuidava da articulação e da logística das ações, incluindo recrutamento de integrantes, definição dos locais, veículos e equipamentos utilizados.

Havia ainda um núcleo ligado à receptação, ao processamento do cobre e à administração financeira. O quarto grupo atuava na receptação interestadual e, segundo as investigações, fazia a conexão com compradores de outros estados.

A divisão de tarefas teria permitido que a organização mantivesse uma atuação contínua em diferentes municípios.

Suspeitos usavam uniformes para evitar desconfiança

Uma das estratégias apontadas nas denúncias era a utilização de elementos que faziam os integrantes parecerem funcionários de empresas de manutenção.

Segundo o MPMG, os suspeitos usavam uniformes, crachás falsificados, veículos caracterizados, cones de sinalização e documentos adulterados. Parte dos investigados teria experiência profissional no setor de telecomunicações, conhecimento que, conforme a investigação, era utilizado para facilitar a retirada dos cabos.

A estratégia permitia que os grupos circulassem próximos às redes de serviços públicos sem chamar imediatamente a atenção.

Depois dos furtos, o material era transportado e encaminhado para pontos de receptação e processamento.

Cobre era descaracterizado antes da revenda

De acordo com as investigações, parte dos cabos furtados passava por processos para dificultar a identificação de sua origem.

Entre as práticas citadas pelo Ministério Público estão a retirada do revestimento dos fios e a queima do material. O objetivo, segundo a denúncia, era descaracterizar o cobre e facilitar sua posterior comercialização.

Empresários e comerciantes do setor de sucatas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia também são citados na investigação. Conforme o MPMG, eles teriam adquirido grandes quantidades de cobre de origem ilícita.

O material seria posteriormente processado industrialmente e reinserido no mercado formal.

Movimentação financeira passou de R$ 150 milhões

A investigação identificou movimentações financeiras superiores a R$ 150 milhões relacionadas ao período analisado.

Segundo o MPMG, parte dessas operações era incompatível com a renda formal declarada por alguns dos investigados. A denúncia também aponta o uso de contas bancárias de terceiros e empresas para movimentar recursos que seriam provenientes das atividades investigadas.

Em Juiz de Fora, especificamente, a investigação identificou uma movimentação de aproximadamente R$ 3 milhões em apenas dois meses.

Para o Ministério Público, essas operações fazem parte de mecanismos utilizados para ocultar a origem dos valores e dos bens, o que fundamentou a acusação de lavagem de capitais.

Mais de 1.400 furtos são atribuídos ao grupo

A organização investigada teria atuado em diversos municípios da Zona da Mata, incluindo Visconde do Rio Branco, Juiz de Fora, Ubá, Leopoldina, Matias Barbosa, São João Nepomuceno e Barbacena.

As denúncias também relacionam o grupo a ocorrências fora da região. Em um dos casos investigados, integrantes teriam furtado objetos de um cemitério em Aiuruoca, no Sul de Minas.

Entre os itens levados estavam placas de identificação, crucifixos, imagens religiosas, lápides e floreiras.

O número de mais de 1.400 furtos corresponde ao conjunto de ocorrências atribuído à organização durante o período investigado.

Investigação começou com a Operação Cyprium

A Polícia Civil concluiu o inquérito em agosto de 2026 e encaminhou o material ao Ministério Público. Após analisar as provas reunidas, a Promotoria de Justiça de Visconde do Rio Branco apresentou quatro denúncias contra integrantes que, segundo a investigação, exerciam funções diferentes dentro da estrutura criminosa.

Um dos homens apontados como liderança do esquema na Zona da Mata tem 29 anos e é dono de um ferro-velho em Juiz de Fora. Ele foi preso em flagrante em setembro de 2025, durante uma das fases da Operação Cyprium, por suspeita de receptação qualificada de fios de cobre.

As denúncias apresentadas agora ainda serão analisadas pela Justiça. O oferecimento da denúncia significa que o Ministério Público acusa formalmente os investigados, mas a responsabilidade criminal de cada um ainda deverá ser analisada no processo judicial.

MPMG pede indenizações pelos danos

Além das acusações pelos crimes de organização criminosa, receptação qualificada e lavagem de capitais, o Ministério Público solicitou que os denunciados sejam responsabilizados pelos prejuízos provocados pelas atividades investigadas.

O órgão pediu o pagamento de indenizações pelos danos causados às concessionárias atingidas pelos furtos e também por danos morais coletivos.

A partir da análise das denúncias pela Justiça, os envolvidos poderão responder individualmente conforme a participação que lhes for atribuída no esquema.

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