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Mundo – O grupo palestino Hamas afirmou que concorda com um plano de desarmamento, mas condicionou qualquer medida ao cumprimento, por parte de Israel, das obrigações previstas no acordo de cessar-fogo firmado em outubro. A declaração foi feita por Ghazi Hamad, alto integrante do movimento, em entrevista à CNN.
Segundo o dirigente, o acordo deve ser implementado como um pacote completo, incluindo o envio de uma força internacional para a Faixa de Gaza, o aumento da ajuda humanitária e a retirada parcial das tropas israelenses antes que o Hamas tome qualquer iniciativa relacionada às suas armas.
Hamas diz que desarmamento depende do cumprimento integral do acordo
De acordo com Ghazi Hamad, o grupo aceitou entregar seu arsenal dentro de um plano negociado com o Conselho de Paz, mas afirmou que nenhuma etapa será iniciada enquanto Israel não cumprir os compromissos assumidos.
“O acordo é um pacote completo. Não iniciaremos nenhuma ação relacionada a armas até que Israel cumpra esses compromissos. Francamente, se Israel não os cumprir, não prosseguiremos.”
Entre as condições apresentadas pelo Hamas estão:
- interrupção dos ataques israelenses;
- fim dos assassinatos seletivos na Faixa de Gaza;
- retirada das tropas israelenses para a chamada Linha Amarela;
- ampliação da entrada de ajuda humanitária;
- implementação da Força Internacional de Estabilização.
Comitê administraria Gaza e supervisionaria armas
Segundo Hamad, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), formado por tecnocratas palestinos e nomeado pelo Conselho de Paz, assumiria a administração da Faixa de Gaza.
O dirigente explicou que as armas utilizadas pela força policial do Hamas passariam ao controle do comitê.
Já o armamento pesado do grupo não seria destruído.
“As armas serão armazenadas sob a supervisão do Comitê Nacional.”
Ainda assim, Hamad reforçou que nenhuma dessas medidas será colocada em prática sem o cumprimento prévio do acordo por Israel.
Hamas cobra garantias internacionais
O dirigente também criticou o que classificou como descumprimento da primeira fase do cessar-fogo.
Segundo ele, os países mediadores deverão garantir que o novo acordo seja efetivamente implementado.
“Nossa experiência com a primeira fase foi muito ruim. Israel não cumpriu o acordo e houve centenas ou milhares de violações.”
Hamad afirmou esperar que os Estados Unidos, Catar, Turquia e Egito atuem como garantidores do cumprimento integral do pacto.
Trump anunciou acordo para desarmamento
Na quinta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Conselho de Paz alcançou um acordo considerado por ele “histórico” para promover o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados em Gaza.
Segundo Trump, o plano prevê:
- desarmamento gradual dos grupos armados;
- retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza;
- envio de uma Força Internacional de Estabilização;
- criação de uma nova força policial palestina;
- reconstrução de Gaza sob supervisão do Conselho de Paz.
O cronograma para implementação das medidas ainda não foi divulgado.
O que é o Conselho de Paz
O Conselho de Paz foi proposto por Donald Trump em setembro de 2025 como parte de um plano para encerrar a guerra em Gaza.
Posteriormente, a iniciativa passou a ser apresentada como um organismo voltado à mediação de conflitos internacionais.
Segundo a minuta da carta constitutiva divulgada pela Reuters, o conselho teria a missão de promover soluções diplomáticas para conflitos em diferentes regiões do mundo.
Trump chegou a afirmar que o órgão poderia, futuramente, exercer funções semelhantes às da Organização das Nações Unidas (ONU), proposta que gerou debates entre especialistas em relações internacionais.

