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Política – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quarta-feira (29) que o governo brasileiro negou a concessão de vistos a dois representantes do governo dos Estados Unidos. Segundo o presidente, a decisão teve como objetivo impedir qualquer tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras.
A declaração foi feita durante a convenção nacional do PSB, evento que oficializou o vice-presidente Geraldo Alckmin como candidato à reeleição ao lado de Lula nas eleições presidenciais deste ano.
Lula diz que governo barrou entrada de autoridades americanas
Durante o discurso, Lula afirmou que o Brasil recusou a entrada de dois integrantes do governo norte-americano que, segundo ele, viriam ao país para interferir no processo eleitoral.
“Nesta semana tivemos que negar o visto para dois jovens que eles estão mandando para o Brasil para se intrometer nas eleições brasileiras”, afirmou o presidente.
A declaração confirma informações divulgadas anteriormente pela Reuters, segundo as quais o governo brasileiro havia rejeitado pedidos de visto apresentados por dois funcionários da administração do presidente Donald Trump.
Governo dos EUA nega tentativa de interferência
Em resposta à Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob condição de anonimato, contestou a versão apresentada pelo governo brasileiro.
Segundo o representante, a viagem fazia parte de uma missão de rotina.
“Qualquer insinuação de que se trataria de uma ‘manobra’ para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada. Trata-se de uma visita de rotina”, declarou.
De acordo com fontes ouvidas pela agência, o governo brasileiro interpretou a visita como uma possível tentativa de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro às vésperas das eleições presidenciais de outubro.
Presidente afirma que prefere o debate político
Durante o evento, Lula também comentou sua relação com o presidente norte-americano Donald Trump e afirmou que não pretende transformar as divergências em um confronto pessoal.
“O Trump, às vezes, ele fica querendo brigar comigo. Eu não quero briga com ele… eu não sou bobo.”
O presidente acrescentou que prefere enfrentar os adversários no campo político e das ideias.
“Eu não quero briga. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa. Eu quero fazer a guerra da narrativa.”
Lula volta a criticar Javier Milei
No mesmo discurso, Lula voltou a comentar os recentes ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, feitos durante a convenção nacional do PL.
O presidente brasileiro afirmou que mantém uma postura institucional nas relações entre os países e repetiu a crítica feita anteriormente ao líder argentino.
“Vocês viram a patacoada que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada. Porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa.”
Na segunda-feira (27), Lula já havia ironizado Milei ao responder a jornalistas com a pergunta: “Quem é esse cara?”
As declarações do presidente argentino durante um evento político em São Paulo provocaram reações no governo brasileiro e ampliaram a tensão diplomática entre Brasil e Argentina.

