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migrantes em Ceuta
Reprodução internet
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Mundo – A Espanha enfrenta uma das maiores crises migratórias de sua história recente após estimar que cerca de 49 mil migrantes chegaram ao enclave de Ceuta em apenas 24 horas, cruzando a fronteira por terra e pelo mar a partir do Marrocos. Segundo o Ministério do Interior espanhol, o número total de pessoas que entraram na cidade nos últimos dias pode chegar a 60 mil, superando metade da população local.

A situação levou os governos da Espanha e do Marrocos a reforçarem a segurança na fronteira, enquanto autoridades confirmaram a localização de 19 corpos no mar durante a operação.

Entrada em massa supera metade da população de Ceuta

De acordo com o prefeito de Ceuta, Juan Jesús Vivas, aproximadamente 60 mil migrantes chegaram ao enclave espanhol nos últimos dias. A cidade autônoma possui cerca de 85 mil habitantes, o que evidencia a dimensão da crise.

Ceuta, localizada no norte da África e administrada pela Espanha, é uma das duas únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano, ao lado de Melilla.

Espanha e Marrocos reforçam controle da fronteira

Após a chegada em massa de migrantes, Espanha e Marrocos intensificaram a vigilância na cerca que separa os dois territórios.

Segundo a reportagem, as autoridades marroquinas utilizaram caminhões com canhões de água para dispersar multidões que tentavam atravessar a fronteira. Também foram registrados confrontos, deixando um ônibus e sete veículos incendiados nas proximidades da passagem.

As autoridades espanholas informaram que pretendem acelerar o retorno dos migrantes que entraram irregularmente, respeitando as decisões judiciais e a legislação vigente.

Pelo menos 19 corpos foram encontrados no mar

A travessia também teve consequências trágicas. Pelo menos 19 corpos foram encontrados na água, segundo as autoridades citadas pela reportagem.

Apesar do reforço na fiscalização, grupos continuaram buscando rotas alternativas ao longo da costa, e muitos tentaram chegar a Ceuta nadando.

Entre os migrantes havia homens, mulheres e crianças, vindos tanto do Marrocos quanto de países da África Subsaariana.

Governo espanhol acompanha a crise

O primeiro-ministro Pedro Sánchez programou uma visita a Ceuta nesta sexta-feira (31), acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, para acompanhar de perto a situação.

Já o ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, afirmou que o governo reagiu rapidamente ao fluxo migratório e que os procedimentos de retorno dos migrantes seguirão as decisões da Justiça e o respeito aos direitos humanos.

Segundo Torres, um dos fatores que pode ter contribuído para o aumento das tentativas de travessia foi uma recente decisão do Supremo Tribunal da Espanha, que restringiu as devoluções imediatas de migrantes interceptados no mar durante tentativas de entrada em Ceuta e Melilla.

Crise provoca tensão política na Europa

A chegada recorde de migrantes reacendeu o debate sobre imigração na União Europeia.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que seu governo poderá adotar medidas extraordinárias para proteger as fronteiras italianas, incluindo a possibilidade de suspender a aplicação do Espaço Schengen em relação à Espanha.

O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, criticou a política migratória espanhola, alegando que medidas recentes adotadas por Madri poderiam incentivar novas travessias irregulares.

Em resposta, o chanceler espanhol José Manuel Albares classificou as declarações como “inapropriadas”, afirmou esperar solidariedade dos parceiros europeus e informou que convocaria o embaixador italiano para apresentar um protesto diplomático.

Ceuta volta ao centro do debate sobre imigração

Ceuta e Melilla registram regularmente tentativas de entrada irregular de migrantes que buscam chegar ao território europeu. No entanto, a travessia de quase 50 mil pessoas em um único dia é considerada sem precedentes pelas autoridades espanholas.

O episódio reforça os desafios enfrentados pela União Europeia na gestão dos fluxos migratórios, tema que permanece entre os principais assuntos da agenda política do continente.

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