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Evo Morales
Reprodução internet
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Mundo – A Procuradoria-Geral da Bolívia emitiu um novo mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, acusado de terrorismo e insurreição armada por supostamente incentivar os protestos que paralisaram o país nas últimas semanas. A informação foi divulgada pelo próprio ex-presidente nesta quarta-feira (29), por meio de uma publicação na rede social X.

Morales negou as acusações e afirmou que a medida faz parte de uma tentativa do governo de responsabilizá-lo pela crise política e social enfrentada pela Bolívia.

Evo Morales rejeita acusações e critica governo

Em sua publicação, Evo Morales declarou que o governo busca culpá-lo, assim como ao movimento político que lidera, pelas manifestações populares registradas no país.

Segundo o ex-presidente, os protestos são consequência da grave crise econômica e social enfrentada pela Bolívia, marcada pela inflação, escassez de combustíveis e dificuldades para a população.

“Eles não nos intimidarão. Continuaremos lutando ao lado do povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente: um caminho de dignidade, soberania, justiça social e restauração da esperança para todos”, afirmou Morales.

Mandado foi expedido após denúncia em Santa Cruz

De acordo com a agência de notícias EFE, o mandado de prisão foi expedido pelo procurador Brayan Melgar após uma denúncia apresentada no departamento de Santa Cruz, no leste do país.

A CNN informou que entrou em contato com a Procuradoria-Geral da Bolívia, com a equipe de Evo Morales e com o Ministério da Presidência para obter posicionamentos oficiais sobre o caso, mas ainda aguardava resposta até a publicação da reportagem.

Protestos e bloqueios marcaram últimas semanas

O novo mandado ocorre após mais de um mês e meio de protestos e bloqueios de rodovias promovidos por setores insatisfeitos com o aumento da inflação, a falta de combustíveis e outros problemas econômicos.

Em 20 de junho, o presidente Rodrigo Paz decretou estado de emergência, autorizando as Forças Armadas a atuarem em apoio à polícia para remover os bloqueios nas estradas.

Durante toda a crise, Morales declarou apoio às manifestações, enquanto o governo acusou os manifestantes de tentar desestabilizar a administração iniciada em novembro do ano passado.

Ex-presidente já responde a outras investigações

Desde que deixou a Presidência, em 2019, após uma grave crise política e protestos que culminaram em sua renúncia, Evo Morales já foi alvo de diferentes mandados de prisão.

Em 2024, a Procuradoria boliviana expediu uma ordem de prisão contra o ex-presidente sob acusação de suposto tráfico de pessoas relacionado a um alegado relacionamento com uma adolescente. Morales sempre negou as acusações e afirmou ser vítima de uma “brutal guerra judicial”.

O ex-presidente também tentou disputar novamente a Presidência nas eleições de 2025, mas decisões judiciais impediram sua candidatura. No segundo turno, Rodrigo Paz foi eleito presidente, encerrando mais de duas décadas de governos do Movimento para o Socialismo (MAS), partido de esquerda liderado por Morales.

A nova ordem de prisão amplia a tensão política na Bolívia, em um momento de forte instabilidade econômica e social, enquanto o país enfrenta dificuldades para conter os protestos e restabelecer a normalidade.

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