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brasileiros não concluíram a educação básica
Reprodução Agência Brasil
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Educação – Um levantamento inédito divulgado nesta terça-feira (7) revelou que cerca de 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. O diagnóstico foi apresentado pela Rede EJA e Inclusão Produtiva e evidencia os desafios enfrentados pelo país para ampliar o acesso à escolarização de jovens e adultos.

O estudo também mostra que, embora esse número tenha diminuído nos últimos anos, a redução ainda ocorre em ritmo insuficiente para atender à demanda por educação e inclusão social.

Estudo aponta desafios para a Educação de Jovens e Adultos

A pesquisa, intitulada “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas”, foi elaborada por uma coalizão formada por 16 organizações da sociedade civil.

O objetivo é mapear a demanda pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) e fornecer dados que contribuam para a criação de políticas públicas voltadas à redução da exclusão educacional.

Segundo o relatório, o Brasil ainda possui milhões de pessoas que interromperam os estudos antes da conclusão do ensino básico, o que impacta diretamente oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento social.

Queda na demanda pela EJA preocupa especialistas

Embora a quantidade de brasileiros sem educação básica completa tenha diminuído desde 2021, o estudo alerta que essa redução não ocorreu principalmente pelo retorno das pessoas à escola.

Os dados indicam que 51% da diminuição da demanda pela EJA está relacionada à mortalidade de pessoas que não concluíram os estudos. Conforme o levantamento, para cada estudante que concluiu a educação básica por meio da EJA no período analisado, mais de seis pessoas morreram sem finalizar a escolaridade.

O resultado reforça a necessidade de ampliar políticas de permanência e incentivo ao retorno à sala de aula.

Norte e Nordeste concentram maiores índices

A pesquisa também aponta desigualdades regionais.

Os estados das regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de pessoas que não concluíram a educação básica. Em diversos municípios dessas regiões, mais da metade da população com 15 anos ou mais não terminou os estudos.

O cenário evidencia diferenças históricas no acesso à educação e nos indicadores de desenvolvimento entre as regiões brasileiras.

Baixa escolaridade afeta mercado de trabalho

O levantamento mostra que a escolaridade continua sendo um dos principais fatores que influenciam a inserção profissional.

Entre as pessoas que não concluíram o ensino fundamental, apenas 43,1% participam do mercado de trabalho. Já entre aquelas que finalizaram o ensino médio, esse percentual sobe para 73,5%.

Os dados reforçam a relação entre nível de escolaridade, empregabilidade e redução da vulnerabilidade socioeconômica.

Impacto econômico pode chegar a R$ 66 bilhões por ano

Com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE, o estudo estima que a conclusão da educação básica por esse grupo poderia gerar R$ 66 bilhões adicionais em rendimentos do trabalho por ano.

O valor corresponde a aproximadamente 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e considera tanto o aumento da renda dos trabalhadores quanto a ampliação da participação da população no mercado de trabalho.

Programas de incentivo ajudam a reduzir evasão

Apesar do elevado número de brasileiros sem educação básica completa, indicadores recentes mostram avanços na permanência dos estudantes na escola.

Segundo dados do Censo Escolar de 2025, a taxa de evasão no ensino médio das escolas públicas caiu para 2,5%, o menor índice da série histórica iniciada pelo Ministério da Educação em 2007.

De acordo com o MEC, a redução ocorreu após a implementação do programa Pé-de-Meia, criado em 2024 para oferecer incentivo financeiro à permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio.

Além disso, o programa foi posteriormente ampliado para atender alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e pessoas inscritas no Cadastro Único, contribuindo para diminuir a evasão escolar e a distorção entre idade e série.

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