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Triângulo Mineiro – Uma equipe da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) realizou, nesta quinta-feira (2), uma vistoria técnica no Parque do Sabiá, em Uberlândia, para verificar denúncias de contaminação ambiental por lançamento de esgoto em cursos d’água da unidade de conservação.
A fiscalização integra a investigação conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ocorre após o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) informar que concluiu os reparos estruturais e a limpeza da área onde teria sido identificado um vazamento.
Fiscalização vai subsidiar investigação do Ministério Público
Segundo a Semad, o objetivo da vistoria é avaliar a situação atual do parque e verificar se o problema ambiental foi efetivamente solucionado.
Os resultados da inspeção serão anexados ao procedimento conduzido pelo Ministério Público, que acompanha o caso desde o início deste ano.
O Dmae afirma que o vazamento identificado era pontual e ocorreu em uma rede localizada a aproximadamente dois quilômetros do parque.
Investigação começou após denúncia e laudo técnico
O caso passou a ser investigado em fevereiro, após denúncia apresentada pela vereadora Amanda Gondim (PSB), reforçada por um laudo elaborado pela bióloga Ana Lúcia Bonfim.
Na época, imagens registraram acúmulo de lixo e vegetação ao redor de uma tubulação pluvial localizada dentro da área de preservação ambiental.
Após a denúncia, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente iniciou a retirada dos resíduos encontrados no local.
Segundo a bióloga, a contaminação pode ocorrer há décadas devido a ligações irregulares entre redes de esgoto e drenagem pluvial.
“Essa mancha esbranquiçada que parece uma nata são resíduos de sabão e produtos de limpeza, típicos de esgoto doméstico”, afirmou Ana Lúcia Bonfim.
Laudo aponta sinais de degradação ambiental
Encaminhado ao Ministério Público em maio, o laudo técnico reúne análises que apontam um processo contínuo de degradação ambiental no Complexo Parque do Sabiá.
Entre os principais resultados apresentados estão:
- elevados níveis de matéria orgânica (DBO);
- alta concentração da bactéria Escherichia coli, indicativa de contaminação por esgoto;
- níveis de oxigênio dissolvido próximos de zero, comprometendo a sobrevivência da fauna aquática.
O documento também cita indícios de degradação prolongada, como assoreamento, erosão, morte da vegetação ciliar, árvores com raízes expostas, acúmulo de resíduos antigos e adoecimento de buritis, espécie considerada importante indicadora da qualidade ambiental.
Futel afirma que vazamento foi pontual
No início do ano, o diretor-geral da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), Edson Zanatta, declarou que situações semelhantes ocorrem de forma pontual e que não haveria contaminação permanente da área.
Segundo ele, sempre que análises indicam alguma irregularidade, o Dmae é acionado para realizar os reparos necessários.
Questionada sobre a vistoria desta quinta-feira, a Futel confirmou a realização da fiscalização, mas informou que não comentaria o assunto neste momento.
Dmae diz que corrigiu ligações irregulares
Em março, o Dmae informou ter identificado e corrigido ligações cruzadas entre redes de esgoto e drenagem na região leste de Uberlândia, nas proximidades do bairro Grand Ville.
De acordo com a autarquia, essas irregularidades provocavam o lançamento indevido de esgoto em parte da represa artificial do Parque do Sabiá.
Além da correção das ligações, o órgão informou que realizou a limpeza da represa a pedido da Futel e ampliou o uso de vídeo inspeções para identificar novos pontos irregulares na rede de saneamento.
A autarquia também destacou que esse tipo de investigação é complexo, já que a origem do problema nem sempre coincide com o local onde os impactos ambientais são observados.
Enquanto aguarda os resultados da vistoria da Semad, o Ministério Público segue acompanhando o caso para verificar se as medidas adotadas foram suficientes para eliminar a contaminação ambiental.