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Pega na mentira
Já vai longe o tempo em que o cantor e compositor Erasmo Carlos, um ícone da Jovem Guarda, cantava Pega na Mentira. Começo dos anos 80, a década perdida.
Faz tanto tempo que algumas mentiras escandalosas da época até já deixaram de ser mentiras e se tornaram verdades:
“Acabou-se a inflação”. Parecia impossível, mas na década seguinte veio o Plano Real e a labareda terrível do dragão da inflação virou fogueirinha de papel.
“Passa todo mundo no vestibular”. Nos anos 80 o funil para entrar na faculdade era muito estreito. Veio a multiplicação de cursos universitários – em quantidade, não em qualidade – e hoje em dia se mandar um WhatsApp por engano para uma universidade, já chega no mesmo dia o boleto da matrícula.
A mentira continua reinando soberana 45 anos depois. Mas neste 2026 são outras mentiras. E esta semana que passou não deixou por menos.
Tem uma frase antiga – e verdadeira – que diz que numa guerra a primeira vítima é a verdade. Na terça-feira, Donald Trump disse com todas as letras que os Estados Unidos tinham controle total e absoluto do Estreito de Hormuz, por onde circulam 20% do petróleo do mundo, “Uma muralha de aço”, disse Trump no estilo grandiloquente, exagerado que caracteriza as declarações dele. Na quarta-feira, o governo iraniano disse a mesma coisa: que tinha controle absoluto do mesmíssimo Estreito. Um dos dois está mentindo
Trump já deixou claro que não tem nenhum compromisso com a verdade. Mente sobre dados do clima, mente sobre o sistema eleitoral dos Estados Unidos, mente sobre imigrantes, mente sobre as relações comerciais com o Brasil. Se estiver mentindo sobre Hormuz, seria só uma mancha a mais num leopardo…
Não é nenhuma novidade essa parceria de presidentes dos Estados Unidos com a mentira. George W. Bush e o fiel escudeiro Tony Blair, na época primeiro ministro britânico, devastaram o Iraque jurando que o ditador Saddam Hussein tinha armas químicas. Não encontraram nenhum tudo de ensaio, nenhuma gota de fenolftaleína para comprovar as milhares de mortes de iraquianos.
No Brasil não é diferente. Descobriu-se agora que o presidenciável Flávio Bolsonaro tem currículo turbinado por uma mentira. A conceituada Universidade Federal do Rio de Janeiro diz que ele nunca frequentou o curso de pós-graduação em Ciências Políticas que exibe nas páginas da Alerj, onde se notabilizou pelas rachadinhas e no Senado, onde se destaca pelas faltas e pela não-apresentação de projetos.
Também aqui não há novidades. O pai de Flávio, em 2020, nomeou um ministro da Educação – vamos fazer uma pausa para repetir: da Educação, da Educação – que ficou só 5 dias no cargo exatamente pelo mesmo motivo: currículo falsificado. Carlos Alberto Decotelli.
E pra ninguém pensar que a mentira só circula com as suas pernas curtas pelo campo conservador, vamos lembrar da cara-de-pau do Lula, em 2016, atolado no mensalão, atolado na Lava Jato:
“Não tem nesse país uma viva alma mais honesta do que eu.”
A melhor resposta veio de uma marchinha do sambista Boca Nervosa:
“Ei, ei, ei que beleza, ele é mais santo do que a Madre Teresa
Acredite se quiser, é mais honesto do que Chico Xavier,”
