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Mundo – As forças de segurança do Paquistão realizaram uma ofensiva terrestre e aérea na fronteira com o Afeganistão que resultou na morte de pelo menos 29 militantes, segundo informou o governo paquistanês neste domingo (28). Em resposta, o Talibã afegão acusou Islamabad de atingir áreas civis durante os bombardeios, alegando que dezenas de pessoas morreram ou ficaram feridas, entre elas mulheres e crianças.
A operação amplia a tensão entre os dois países, que há anos trocam acusações sobre a presença de grupos extremistas na região de fronteira.
Operação teve ataques por terra e pelo ar
De acordo com o ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, quatro integrantes do grupo Jamaat-ul-Ahrar, uma facção ligada ao Talibã paquistanês, foram mortos durante ações terrestres.
Outros 25 militantes morreram em bombardeios contra alvos localizados nas províncias afegãs de Paktia, Paktika e Kunar. Segundo o governo paquistanês, as operações também destruíram grandes quantidades de armas e munições utilizadas pelos grupos armados.
Islamabad afirma que a ofensiva teve como objetivo enfraquecer organizações responsáveis por atentados recentes em território paquistanês.
Talibã acusa Paquistão de atingir civis
O porta-voz do Talibã afegão, Zabiullah Mujahid, condenou os ataques e afirmou que os bombardeios provocaram mortes e ferimentos entre a população civil.
Em publicação na rede social X, Mujahid declarou que “os ataques resultaram na morte e em ferimentos de dezenas de civis, incluindo mulheres e crianças” e classificou a ação como um “ato de agressão” e um “crime”.
Até o momento, não há confirmação independente sobre o número de vítimas civis mencionado pelo governo afegão.
Ataques ocorreram após atentado em Karachi
Segundo Attaullah Tarar, a ofensiva foi uma resposta direta a uma sequência de ataques atribuídos ao Jamaat-ul-Ahrar.
No sábado (27), integrantes do grupo realizaram um atentado com carro-bomba e armas de fogo contra uma base da força paramilitar Sindh Rangers, em Karachi. Conforme o Exército do Paquistão, a ação deixou três agentes mortos e outros quatro feridos.
O governo paquistanês sustenta que grupos extremistas utilizam território afegão para planejar e executar ataques contra o país.
Relação entre os países segue marcada por tensão
As relações entre Paquistão e Afeganistão permanecem delicadas devido às frequentes acusações envolvendo a atuação de organizações armadas na região de fronteira.
Islamabad afirma que o governo do Talibã oferece abrigo a militantes responsáveis por atentados em território paquistanês. O governo afegão rejeita as acusações e argumenta que a insurgência enfrentada pelo Paquistão é uma questão interna, sem ligação com Cabul.
A nova operação militar reforça o cenário de instabilidade na fronteira entre os dois países e pode aumentar a pressão diplomática em uma região que continua sendo uma das mais sensíveis da Ásia Central.

