Operação Mens Occulta
Reprodução Polícia Federal
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Triângulo Mineiro – A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), mais uma fase da Operação Mens Occulta em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A ação resultou no cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão no bairro Laranjeiras. Entre os alvos está uma mulher de 65 anos suspeita de utilizar o próprio neto, de 13 anos, para auxiliar na comercialização de drogas.

Segundo as investigações, a mulher atuaria como colaboradora de uma organização criminosa ligada à família Nunes, grupo investigado por envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O companheiro dela, de 34 anos, também foi preso durante a operação.

O que a Polícia Federal encontrou

Durante as buscas realizadas na residência da suspeita, os agentes localizaram entorpecentes que, conforme a PF, estavam parcialmente escondidos sobre o telhado do imóvel em uma tentativa de evitar a apreensão.

Além das drogas, os policiais encontraram duas bicicletas elétricas novas, avaliadas em aproximadamente R$ 20 mil cada. Como os moradores não apresentaram documentação que comprovasse a origem dos veículos, existe a suspeita de que os bens sejam produtos de furto.

Os dois investigados foram presos pelos crimes de tráfico de drogas e receptação. Até o momento, a Polícia Federal não divulgou as identidades dos envolvidos.

Entenda a Operação Mens Occulta

A Operação Mens Occulta é uma investigação de grande porte conduzida pela Polícia Federal para desarticular uma organização criminosa apontada como responsável pelo transporte de cocaína entre diferentes estados brasileiros.

De acordo com os investigadores, o núcleo principal do grupo seria liderado por Mario Sergio Nunes, conhecido como “Serjão do PCC”. A estrutura criminosa funcionaria de forma semelhante a uma empresa, utilizando caminhões, transportadoras, empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e motoristas recrutados para movimentar drogas e recursos financeiros.

A PF afirma que integrantes da família exerciam funções específicas dentro do esquema, incluindo movimentação financeira, ocultação patrimonial e apoio logístico.

Caminhões adaptados e rotas interestaduais

As investigações apontam que a quadrilha utilizava caminhões modificados com compartimentos secretos para transportar cocaína. Os entorpecentes eram escondidos em fundos falsos instalados atrás dos bancos dos motoristas e até mesmo dentro dos pneus dos veículos.

Segundo a Polícia Federal, apreensões anteriores identificaram carregamentos de centenas de quilos de cocaína sendo transportados dessa forma. A rota criminosa ligaria os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia a Minas Gerais, tendo Uberlândia como importante centro de distribuição.

Suspeita de lavagem de dinheiro

Outro foco da investigação envolve a suposta lavagem de dinheiro proveniente do tráfico. Conforme a PF, o grupo teria investido recursos ilícitos na aquisição de imóveis, ranchos, veículos de luxo, motos aquáticas, cavalos de raça e até um motorhome de alto valor.

Os investigadores suspeitam que empresas de fachada e pessoas utilizadas como “laranjas” ajudavam a ocultar o patrimônio acumulado pela organização.

Defesa pede acesso aos autos

Em nota, a defesa de integrantes da família Nunes informou que uma das investigadas se apresentou espontaneamente à Polícia Federal e criticou a falta de acesso aos autos da investigação. Os advogados afirmam que o sigilo do procedimento não pode restringir garantias constitucionais, como ampla defesa e contraditório.

Já a defesa de Rhanniery Nunes Graciano destacou a presunção de inocência dos investigados e declarou confiança no trabalho da Justiça e das autoridades responsáveis pela apuração.

A Operação Mens Occulta segue em andamento e novas fases não estão descartadas pela Polícia Federal.

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