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Por: Odair Dias Filho
O Brasil atinge, na metade de 2026, um marco histórico na sua estrutura socioeconômica. Um levantamento recente, inicialmente repercutido pelo jornal Valor Econômico e corroborado por dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do IBGE, aponta que a base da pirâmide — as classes D e E — representa hoje apenas 19,4% da população brasileira. É a primeira vez em mais de uma década que esse estrato rompe a barreira dos 20% para baixo.
O movimento reflete uma ascensão expressiva para a chamada “Nova Classe C”, que agora concentra 60,9% dos brasileiros. A transição de mais de 17 milhões de pessoas para fora da linha de pobreza nos últimos anos reaqueceu o mercado interno e transformou a dinâmica do varejo nacional.
A Dinâmica nas Ruas e o Comércio Local
Para além dos grandes relatórios macroeconômicos do mercado financeiro, essa transformação é visivelmente sentida nas dinâmicas de bairros e polos comerciais regionais. Observando iniciativas e diagnósticos práticos, como os levantamentos realizados junto aos lojistas no Projeto Comerciantes do Perequê, no Guarujá, nota-se que o reaquecimento produtivo altera o cenário na ponta. O pequeno e médio varejo de bairro passa a atender uma demanda mais constante, sustentada por famílias que deixaram a zona de vulnerabilidade e agora possuem maior margem no orçamento mensal.
O Impacto no Varejo e o Novo Perfil de Consumo Diário
Com o poder de compra restaurado, o dinheiro rapidamente passou a circular na economia real. A queda na inflação de alimentos devolveu espaço no orçamento, o que muda desde a rotina básica até a aquisição de bens duráveis. Itens de consumo diário, como o tradicional pão e o café com leite das padarias locais, consolidam-se não apenas como subsistência, mas como um indicativo de segurança alimentar restabelecida para essa parcela da população.
Além do setor alimentício, o varejo de vestuário e bens semiduráveis registra uma forte expansão. Há um aumento perceptível na busca por itens de moda casual e streetwear com melhor custo-benefício — impulsionando a venda de peças como calças jogger masculinas de modelagem slim, jeans skinny e camisas sociais —, indicando que o consumidor recém-chegado à classe C está diversificando suas escolhas e investindo em estilo e presença pessoal.
O Olhar do Serviço Social e da Academia
A convergência de fatores que explica esse cenário tem sido objeto de profunda análise por especialistas. Nos corredores acadêmicos e nas bancas avaliadoras de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), especialmente nas áreas de Serviço Social, pesquisadores têm documentado ativamente essa transição de classes.
As análises apontam que, embora a consolidação das redes de proteção social (como as transferências de renda) continue atuando como um “piso protetivo” indispensável, é o mercado de trabalho aquecido o verdadeiro motor da mudança.
“A melhor política social é um ambiente macroeconômico previsível. O esforço conjunto entre a política monetária para segurar a inflação e as políticas de assistência criou um cinturão de proteção. O cidadão hoje sabe que o seu salário vai chegar com poder de compra até o fim do mês.”
— Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social (Fonte: Coletiva de imprensa, junho de 2026).
A Evolução da Pirâmide Social Brasileira (2012 – 2026)
A tabela abaixo ilustra o inchaço da Classe C em detrimento da redução acelerada das classes mais baixas nos últimos anos:
| Ano Base | Classes A/B (Alta) | Classe C (Média) | Classes D/E (Base) |
| 2012 | 15,2% | 53,2% | 31,6% |
| 2018 | 14,8% | 55,4% | 29,8% |
| 2024 | 16,5% | 61,7% | 21,8% |
| 2026 | 19,7% | 60,9% | 19,4% |
(Fontes de compilação: IBGE/PNAD Contínua e projeções de mercado/FGV).
Com um PIB projetado para avançar de forma robusta e o chamado “Índice de Miséria” (soma da inflação com o desemprego) em uma de suas maiores baixas históricas, o desafio do país para os próximos anos será garantir que essa nova massa de consumidores mantenha sua escalada de forma sustentável, com acesso a crédito responsável e oportunidades contínuas de qualificação profissional.
